quinta-feira, novembro 16, 2006

Faz de conta que é um pudim de gelatina

Em forma de blogue, deu a recordar a jornalista Fernanda Câncio uma entrevista feita já em 1998 e então publicada na imprensa, a uma senhora que fazia (a jornalista crê que ainda faz) abortos em casa. A conversa é edificante e não resisto a citar aqui duas passagens. Num primeiro momento, explica a entrevistada que só faz abortos "até às oito semanas". Querem saber a razão? "[...] Porque acho que até às oito semanas uma pessoa tem tempo suficiente para se decidir. E depois penso que me faria um bocado de impressão moral fazer uma coisa já maior." Ou seja: a senhora vê merecimento na tese de que depois das oito semanas a coisa lhe faz impressão. Ora, é sabido que se quer agora legitimar o aborto até às dez semanas - algo, portanto, que faz inclusivamente impressão a tão distinta entrevistada, o que talvez ajude a explicar a enorme dificuldade com que os pró-abortistas lidam com aquelas imagens que nós sabemos quais são. Adiante. Um nadinha mais à frente, explicando o funcionamento da coisa e a pouca impressão que lhe causa a matança, desde que feita até às oito semanas, remata a senhora que "aquilo sai tudo fragmentado, é como se fosse gelatina. Faz de conta que é um pudim de gelatina, que a gente aspira e pronto..."
Pudim de gelatina. A gente aspira e pronto. E pronto...

1 Comentários:

Blogger A. João Soares escreveu...

Penso que a seguinte reflexão vos possa intressar:
Bloco de Esquerda contra o aborto?

Foi-me entregue numa rua de Lisboa o n.º 2 da publicação «Lisboa é Gente» do BE, em que consta informação de uma forma rápida e muito objectiva das propostas já aprovadas e dos objectivos do Bloco com vista a melhorar a qualidade de vida da população lisbonense.
Esta actividade partidária é muito louvável porque é missão dos governantes quer a nível central quer nas autarquias, cuidar das condições de vida das populações. Nesta pequena publicação, além das medidas que afectam directamente a população constam outras que estão com ela relacionadas de forma indirecta, como, por exemplo, a «recuperação da zona verde de Campolide», a «estrutura ecológica de Lisboa», o «clube de tiro fora de Monsanto».
Com este cuidado, muito credor de elogios, na defesa da vida da gente de Lisboa, na defesa da vegetação dos espaços verdes, na defesa dos animais lesados pelo «clube de tiro», tudo inserido numa filosofia ecológica positiva, mão podem restar dúvidas de que o BE será, iniludivelmente contra o aborto, defendendo assim o direito à vida de seres humanos embrionários, indefesos e carentes de protecção de verdadeiros defensores da vida, como o BE demonstra ser, através desta publicação, contra acções indignas de mulheres sem inteligência, ignorantes e desleixadas que não souberam utilizar os diversos métodos anti-concepcionais que se encontram à sua disposição, desde a pílula clássica à pílula do dia seguinte, passando pelo esterilete intra-uterino, o método do calendário, das temperaturas, de Ogino-Knaus, do preservativo masculino e feminino, do creme espermicida, etc.

Tem graça não tem?
Ou se é pela vida ou se é pelo aborto. Não se podem ter os dois extremos.
Um abraço
A. João Soares

11/16/2006 04:41:00 da tarde  

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