quinta-feira, julho 03, 2008

Estar Vivo é o Mesmo Que Estar Morto!


Não, esta não é mais nenhuma frase ridícula da socialite Lili Caneças. É antes mais uma situação grave e absurda, de um país moderno, onde se coloca sobre o mesmo plano de igualdade a mulher grávida e a mulher que aborta. Mais informações, aqui e aqui.

6 Comentários:

Blogger Rafa escreveu...

A frase de Lili Caneças é "Estar vivo é o contrário de estar morto". Por favor, a senhora até pode nem primar pela inteligência mas façamos dela as palavras dela.

Uma outra coisa, há aqui uma confusão de ideias bastante clara, a meu ver, como tem havido já desde antes do referendo sobre o aborto.

Mas que movimentos pró-vida ou pró-escolha estão aqui envolvidos? Vamos lá a ver se nos entendemos, o referendo nunca perguntou ao nosso querido Portugal se o aborto era uma prática condenável ou não, ou se o fariam ou não. O que foi perguntado foi, atendendo à situação actual, se a prática do aborto deveria ou não ser despenalizada.

Vejamos então:
Se o aborto não fosse despenalizado há quem diga que não haveria tantos abortos por ser ilegal. Quanto a mim isto é uma percepção errada da realidade: qualquer mulher que desejasse realmente fazer um aborto fá-lo-ia, mesmo sob circunstâncias de risco e, por isso, muito piores do que numa clínica especializada para o efeito.
Com a despenalização do aborto é garantida esta maior segurança para a mulher que aborta e, para além e mais importante que isso, é-lhe oferecido apoio e um período de reflexão sobre esta matéria, para que tivesse consciencia plena da sua decisão.

O problema maioritário com esta discussão é que muita gente se perde com discussões paralelas e além do objectivo primordial. Veja-se por exemplo: se se realizasse um inquérito ao total da população adulta portuguesa e 85% dissesse que o aborto era condenável, então era de bom tom assumir que o aborto era condenável. Aqui é que reside o ERRO e a iliteracia da maioria das pessoas - da frase "85% dos portugueses considera o aborto uma prática condenável" só se pode concluir que "85% dos portugueses considera o aborto uma prática condenável". Com base nesta conclusão o aborto não é bom nem mau OBJECTIVAMENTE, só SUBJECTIVAMENTE. É justamente essa variação SUBJECTIVA (que quer dizer QUANTO AO SUJEITO) que muita gente faz objectiva incorrectamente.

Portanto, se pensarmos bem, e atendendo à situação actual que é: o aborto EXISTE e É praticado em Portugal, a sua despenalização e realização em clínicas especializadas parece ser a escolha mais acertada. Outro problema é que com a liberdade vem a responsabilidade e, convenhamos, é muito melhor ter um bando de carneiros não pensantes proíbidos de abortar do que um grupo de Homo Sapiens Sapiens conscientes e reflexivos sobre esta ou qualquer outra matéria e que por isso DECIDEM sobre esta ou qualquer outra matéria.

Claro que, como tudo, isto leva uma boa dose de utopia: "Pôr toda a gente a pensar no aborto individualmente? Nem pensar! Vamos ligar a televisão e ver o que dizem os especialistas" (riso irónico)

Passar Bem

RCO

7/04/2008 06:14:00 da tarde  
Blogger João Lima escreveu...

Rafa,
O seu longo comentário está errado!!! Errado como esteve errada toda a argumentação pró-abortista do referendo:

NÃO É VERDADE QUE:
” qualquer mulher que desejasse realmente fazer um aborto fá-lo-ia, mesmo sob circunstâncias de risco e, por isso, muito piores do que numa clínica especializada para o efeito.”

Saiba que as proibições não têm apenas efeitos punitivos! As proibições pretendem dissuadir a prática do acto que se proíbe. Portanto, se o aborto não fosse legalizado, não aumentaria tanto, as estatísticas assim o demonstram: nos países onde o aborto é legal, este não para de aumentar.
Se sabemos que não podemos circular a mais de 50Km/h, em princípio procuramos não exceder essa velocidade, pois sujeitamo-nos a consequências desagradáveis … será que ninguém ultrapassa os 50Km/h ? Certamente que sim, há quem transgrida, no trânsito e em muita outras situações, algumas bem graves! E então, quer acabar com as penalizações para tudo, ou só para o aborto?
Este post põe a descoberto a escandaleira que é a actual lei do aborto, de resto, que mais há a dizer sobre esta lei ?
Veja em:
http://algarvepelavida.blogspot.com/2007/04/que-lei-do-aborto.html

7/08/2008 11:55:00 da manhã  
Blogger Rafa escreveu...

Bem, ao que parece vamos ter de iniciar uma discussão sobre Moral/Ética que vai ser tão penosa como, ainda antes de a começar, parece ser.

Continuo a ser da opinião que qualquer mulher que, num estado de sã consciência queira abortar, fá-lo-á. Caro João Lima, eu sou CONTRA o aborto e nunca sequer ponderaria ou consentiria em que qualquer parceira minha, se o feto fosse resultado de ambos (por assim dizer), o fizesse.

"E então, quer acabar com as penalizações para tudo, ou só para o aborto?" Ora aqui está aquilo em que acredito, só não acredito é na Humanidade, e aqui vamos à ética e moral de que estava a falar.

Se tivesse cuidadosamente lido os meus últimos dois paragráfos teria, penso eu, chegado à conclusão que eu sou muito mais pelo pensamento individual e a reflexão de cada um do que pela formulação de proíbições que satisfazem os que menos gosto têm em pensar. Não entenda isto como sendo o seu caso. Não o conheço e não tenho o direito de o julgar.

Simplesmente a Ética que toda a gente diz agradável e defende com tanto afinco é simplesmente uma sua versão de Moral e das regras, muito poucos querem saber de Ética, ou seja, de reflectir e ponderar sobre os problemas. Muitos mais são os que têm de reger-se por normas e ainda mais os que preferem reger-se por elas.
Sou idealista demais, por isso até antes falei em utopia.

Ah e não esquecer: com a liberdade vem a responsabilidade, como no meu anterior comentário disse.

E mais uma coisa: dizer que o meu comentário é errado é prova de que o individuo João Lima portador do B.I. xxxxx assim o pensa e não que ele seja errado;tal como o meu comentário é um "penso que" e não uma verdade, também o seu não passa disso, um "penso que".

"Outro problema é que com a liberdade vem a responsabilidade e, convenhamos, é muito melhor ter um bando de carneiros não pensantes proíbidos de abortar do que um grupo de Homo Sapiens Sapiens conscientes e reflexivos sobre esta ou qualquer outra matéria e que por isso DECIDEM sobre esta ou qualquer outra matéria."
É nisto que acredito, mais que tudo o resto. Sou novo e o sonho é muito, digo que não acredito na Humanidade e, com isto, estou acreditado nela.

Passar Bem,
RCO

7/14/2008 12:53:00 da tarde  
Blogger Vítor Ramalho escreveu...

"Outro problema é que com a liberdade vem a responsabilidade e, convenhamos, é muito melhor ter um bando de carneiros não pensantes proíbidos de abortar do que um grupo de Homo Sapiens Sapiens conscientes e reflexivos sobre esta ou qualquer outra matéria e que por isso DECIDEM sobre esta ou qualquer outra matéria."
Ora ai está uma boa frase! Escrita por um abortiva mas que podia ser escrita por outro assassino qualquer.

7/14/2008 01:01:00 da tarde  
Blogger ZMD escreveu...

O roubo existe, vamos legalizar o roubo para que seja feito em segurança (só Deus sabe quantos assaltantes há por aí a praticar assaltos sem qualquer segurança).

O assasínio existe, vamos legalizar o assasínio (quanto assasino não o tem que o praticar em ruas escuras e sem condições nenhumas).

O tráfico de droga existe, vamos legalizar o trafico de droga (há onze assasinios por dia no Rio de Janeiro, a maior parte deles ligados ao tráfico de drogas)

E assim por diante...

Um mal, por ser praticado, não deixa de ser mal! O mal praticado muitas vezes não passa a ser legal!

7/14/2008 09:17:00 da tarde  
Blogger Rafa escreveu...

Por favor podemos parar de ser incoerentes por aqui? Eu acho que nunca disse que era a favor do aborto, porque não sou. Disse e afirmo novamente que sou e serei sempre pela liberdade de decisão, DESDE QUE essa liberdade não interfira com a liberdade dos outros. Tudo tem de ser regulamentado, e a comparação do aborto a um homicidio é um clarissimo exagero. Tão claro que se quisermos ser extremistas todos somos tão "assassinos" quanto uma mulher que aborta. Já olharam bem para o bife do almoço, ora aí está um belo bife de uma vaca morta por sinal. Já olharam bem todos aqueles espermatozoides nos bancos de esperma, quantas meias pessoas estão ali e quantos ovulos que não fertilizaram durante o processo de fertilização in vitro por exemplo, ou mesmo pelo processo natural. Ah, quantos "assassinios" estamos nós a cometer por não permitirmos que coisas que nada mais são que algumas células que pouco nos identificam como humanos naquela altura não sobrevivam... Isto é puramente rídiculo.

Eu nunca permitiria que uma mulher minha praticasse o aborto, ou quase sob circunstancia nenhuma. Nem quero permitir o facilitismo para quem aborta, quero que se criem "dificuldades", períodos de reflexão, períodos limite, quero que isto tudo seja pensado. Mas eu não gosto nem acho que é a favor da inteligência de cada um seguir um conjunto de regras puramente de moral. Há uma coisa chamada ética que vai muito para além disto. E acreditem se meio mundo tivesse ética a outra metade nem precisava de ter moral. O problema da moral são as regras que serguem para uns mentecaptos mas não servem para outros igualmente mentecaptos. A ética exige pensamento, esforço intelectual e é isso que a torna atraente, para uns, e impossivelmente repulsiva, para outros.

Quanto ao caso dos assassinatos: "A minha liberdade acaba onde começa a liberdade dos outros". Não há mais nada a dizer sobre isso, um embrião até uma determinada fase de desenvolvimento não constitui mais vida do que uma beterraba ou que um embrião de um macaco ou de um rato que qualquer um dos tão "pro-vida" trocida todos os dias.

Quanto ao caso do roubo: "a minha liberdade acaba onde começa a liberdade dos outros" o comentário é o mesmo. Só uso esta citação para simplificar as coisas. Como é óbvio nunca se deve confundir liberdade com libertinismo! A nossa liberdade tem limites, mas o facto de a termos é de louvar e em caso algum deveremos querer vê-la retirada. Se sonho com um mundo muito melhor do que ele é? Sonho... sonhar não custa.

"Não concordo com aquilo que dizes, mas defenderei até à morte o direito que tens de dizer aquilo que dizes" Voltaire

12/28/2008 12:35:00 da manhã  

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