sexta-feira, fevereiro 09, 2007

O "GRANDE IRMÃO"


Não tenho por habito assistir à televisão do Estado, pois normalmente cria em mim mau estar e um certo efeito “dejá vù”. Sempre que a vejo, lembro-me do “Grande Irmão” de George Orwell.

Contudo há coisas que nos ultrapassam.

Ontem à tarde, por azar ou sorte, tinha a televisão ligada na RTP1 – não que lhe tivesse a dar muita atenção – quando reparo numa senhora, actriz – que costuma fazer umas paródias sem graça no programa “Portugal no Coração” – a fazer, nesse mesmo programa e em tom de histeria, campanha pelo “Sim” ao aborto.
Confesso que desconheço o nome de tal anedota, contudo apenas fixei o nome da personagem – “Irene Diva”.

Entre piadas e canções apelativas ao “Sim”, a senhora lá foi gritando umas palavras de ordem: «é preciso acabar com a humilhação das mulheres», «as mulheres tem que se unir e lutar pelos seus direitos» e «no próximo domingo votem “Sim”».

Após ter dito «votem “Sim”» a actriz abandonou a cena e o programa prosseguiu como se nada tivesse acontecido, o que me leva a pressupor que estávamos perante uma artimanha muito bem montada, havendo portanto conivência da equipa de realização e dos dois apresentadores.

Não sei se tal acto foi por ignorância ou por pura falta de respeito, contudo estamos a falar da televisão do Estado e como tal há que haver um certo cuidado e elevação no que toca a questões de ordem politica, social, religiosa, etc.


Contudo parece que muitos tendem a rejeitar tal elevação.

Presumo que a senhora actriz tenha contracto assinado com o programa da televisão pública, o que faz dela automaticamente uma funcionária do Estado. Se assim for, a senhora e o programa incorrem no incumprimento da Lei Orgânica do Regime do Referendo, mais concretamente no Artigo 206º.
Passo a citar:

Artigo 206.º

(Abuso de funções)

O cidadão investido de poder público, o funcionário ou agente do Estado ou de outra pessoa colectiva pública e o ministro de qualquer culto que se sirvam abusivamente das funções ou do cargo para constranger ou induzir eleitores a votar ou a deixar de votar em determinado sentido são punidos com pena de prisão até dois anos ou com pena de multa até 240 dias.

Como já referi
anteriormente, é notório um certo descuido por parte dos organismos governamentais no tratamento de assuntos que são da sua exclusiva competência. Não conseguindo impor a si próprio uma certa distância e imparcialidade.

Bem sei que em Portugal tudo é permitido. Mesmo que não o seja, rapidamente se cria uma lei que legitima tais actos irresponsáveis.

Todavia, pergunto sinceramente, se é este o país que desejamos, um país do pensamento único, ou um país plural onde as amplas liberdades são respeitadas?

[Por Demokrata]

3 Comentários:

Blogger Zig escreveu...

Também vi, e não achei graça nenhuma. Mas não foi caso único, no programa da manhã da mesma estação, na Praça da Alegria, já aconteceu o mesmo. Por outro lado, nesse programa há uma presença habitual do Padre Borga, esse, claro, puxa pelo nosso lado!

Como faço parte deste blog (embora pouco...) tomo a liberdade de retirar algumas fotos e metê-los no meu blog. Se houver algum problema, naturalmente peço desde já desculpas e irei retirar essas imagens do meu blog.

Saudações
Zig

2/09/2007 07:12:00 da tarde  
Anonymous M.A, porto escreveu...

Também vi, e fiquei chocada. Uma televisão pública não pode permitir que os seus jornalistas, apresentadores e actores (no presente caso) revelem as suas tendencias pessoais relativamente a estes tema tão sensivel, que hoje vivemos, existem portanto espaços proprios com o objectivo da divulgação das opiniões de cada um. Lamento.
Madalena Aguiar

2/09/2007 07:30:00 da tarde  
Blogger o engenheiro escreveu...

E os meninos não notaram qual foi o primeiro spot publicitário no 1º intervalo do 1º prós e Contras que nos honrou com a presença da Catarina Furtado? Nada menos nada mais que 1,35 s do anúncia do programa intitulado Princípes da Areia em que ela aparece com bebés ao colo...Mas é claro foi uma simples coincidência

2/09/2007 07:37:00 da tarde  

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