sexta-feira, janeiro 05, 2007

A INTERRUPÇÃO VOLUNTÁRIA DA GRAVIDEZ

A defesa da vida “não matarás” vem desde que o homem começou a ter capacidade de comunicação

A leitura deste título, abordado em “Tertúlia da JS de Águeda”, sem tom polémico mas de esclarecimento e de intenção doutrinal, obriga-me a algumas reflexões. Refere o articulado “tendo em conta a actualidade do tema e o fundamentalismo com que tem sido tratado, foi realizado o espaço de debate, como forma de informar correctamente os participantes sobre as propostas apresentadas, fundamentar posições e clarificar alguns termos, factos e dados” .
Ora para informar correctamente os leitores, e supondo não ter sido preocupação da tertúlia informar somente os participantes, sem o que não se justificaria a sua publicação, e não tendo a pretensão de analisar as tomadas de posição dos diversos intervenientes, ponto a ponto, embora o mereçam, sinto a obrigação interior e pessoal, de fazer as reflexões que o assunto me aconselha.
* ABORTO: Para definirmos com clareza e transparência de conceitos, o que se aborda é o aborto em que a designação eufemística de “interrupção voluntária da gravidez” não é mais do que um desvio para embotar as mentalidades, não dizendo do que se trata realmente.
É dado adquirido e aceite na sociedade científica internacional, que a vida humana começa com a fecundação do óvulo pelo espermatozóide. O ovo assim formado no útero materno é um ser vivo que, se não for interrompida a sua evolução natural, vai tornar-se um humano como qualquer de nós, com todas as características genéticas que o definem como filho das células progenitoras, agora confirmado no genoma, de descoberta recente. A mãe que o alberga, não é sua dona mas, somente, a zeladora para o seu bem! No seu crescimento, ele será governado pela Natureza!
Ora a defesa da vida “não matarás” vem desde que o homem começou a ter capacidade de comunicação, há muitos milhares de anos. Ele pensou ”se eu te mato e tu matas o outro e ele a mim, e assim sucessivamente, acaba-se a espécie”. É assim que surge o natural repúdio pelo acto de matar o nosso semelhante e o embrião é um nosso semelhante e inocente, que não é ouvido, mas que tem direitos!
Já Hipócrates, médico célebre do século V antes de Cristo, instituiu um juramento que ainda hoje é proferido pelos recém-licenciados de medicina em todo o mundo civilizado, e que diz: ”não darei um remédio mortal ou um conselho que leve à morte. Tão pouco darei a uma mulher um pessário, ou droga que possa destruir a vida do feto”.
* A VIDA: A defesa da vida não é pois um atributo ou apanágio ou obrigação dos cristãos. Já o era antes de Cristo. Ela é uma inerência da bioética, da ética ou respeito pela vida em geral e pela vida humana em especial. Ela é também defendida com a rejeição do aborto pelos judeus, induístas, budistas, confucionistas, islamistas, xintoístas, taoistas siquistas e muitos outros credos religiosos e por muitos que se consideram agnóstico ou ateus, mas que defendem a vida!
De uma relação sexual entre um homem e uma mulher, porventura ilícita, surge um novo ser que tem direitos e o maior é o direito a viver.
Muito mas mesmo muito haveria que dizer, sobre os dados estatísticos, “das razões e causas das coisas”, das condutas humanas nas sociedades de consumo, bem como da legislação sobre o assunto, mas fico-me hoje por esclarecimentos só dos princípios e dos conceitos que estão em jogo.
Tudo é muito mais sério e complexo do que por vezes se pretende fazer crer!

AMORIM FIGUEIREDO
Mestre em Bioética e médico


FONTE

1 Comentários:

Blogger Frioleiras escreveu...

"Tudo é muito mais sério e complexo do que por vezes se pretende fazer crer!"

Na verdade !
É bom que tenhamos consciência disso!

1/06/2007 04:28:00 da tarde  

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