sábado, fevereiro 17, 2007

A caixa de Pandora

(um artigo de José António Saraiva)

Nasci e vivi até casar numa casa da Calçada do Galvão, com frente para o Jardim Colonial – num prédio de dois andares com uma certa dignidade e um quintal murado, onde pontificavam duas imponentes palmeiras. Lá viviam quatro inquilinos: nós (no rés-do-chão esquerdo), uma modista, um casal alemão com dois filhos e a minha avó materna.
Como a casa era grande e a minha mãe trabalhava fora (era professora), tínhamos normalmente duas empregadas – que na época se chamavam ‘criadas’. ‘Criadas de servir’. Um dia, uma delas caiu doente. Tinha febre, não podia trabalhar e passava o dia na cama, encharcada em suor. Esgotou-se uma semana e ela não registava melhoras. Pelo contrário: no seu quarto começou a sentir-se um cheiro a podre que se foi espalhando pela casa tornando o ar irrespirável. A minha mãe interveio, chamou-se o médico e uma ambulância veio pouco depois buscá-la. Ficou uns 15 dias no hospital, ao fim dos quais regressou a nossa casa, curada.
A minha mãe explicou-me mais tarde, no meio de silêncios, que ela fizera um ‘desmancho’ e poderia ter morrido. Na altura não se usava a palavra aborto (que é, convenhamos, horrível). O ‘desmancho’ fora efectuado por uma parteira do bairro, que tinha fama de competente. A minha mãe indignou-se por ela ter feito aquilo sem lhe dizer nada. Mas o tempo passou, o episódio esqueceu – e ela acabou por casar com o homem que a engravidara e era dono de uma leitaria e de uma taberna situadas um pouco abaixo da nossa casa.
Eu é que não mais esqueci aqueles dias: o cheiro nauseabundo, a cara da empregada, pálida como a morte, a história da parteira. Na minha cabeça a palavra ‘parteira’ ficou para sempre associada não a nascimentos mas a actos horríveis praticados em ambientes sórdidos, que podiam levar as mulheres à morte.
Com estas memórias, dir-se-á que eu deveria aplaudir com as duas mãos a despenalização do aborto – que permitirá às mulheres abortar de forma limpa, em hospitais do Estado, com assistência médica garantida.
Mas não o faço.
Porque outra coisa que me marcou na adolescência foi uma conversa com o meu pai em que percebi a importância de se defender a ‘inviolabilidade da vida’. Quando se toca aí, nunca se sabe onde se irá parar. Quando se admite que a vida não é um valor intocável, quando se aceita que pode ser posta em causa em certas circunstâncias, abre-se uma ‘caixa de Pandora’ onde tudo se torna possível. Por que não aceitar a eutanásia? Por que não discutir a pena de morte? Por que só admitir o aborto até às 10 semanas?
Num programa Prós e Contras colocaram a certa altura a Edite Estrela uma pergunta incómoda:
– Se o resultado do referendo do aborto for a vitória do ‘Sim’, que permite o aborto até às 10 semanas, e se uma mulher for a tribunal por ter feito um aborto às dez semanas e meia, deve ser condenada?
Edite Estrela fez uma pausa, e acabou por responder com seriedade:
– Deve aplicar-se a lei, portanto deve ser condenada.
Esta pergunta e esta resposta tocaram o fundo da questão. Porque o que estava em cima da mesa, no debate, era acabar com os julgamentos das mulheres por abortarem. Ora, de repente, percebeu-se que a nova lei não resolverá o problema. Os julgamentos continuarão. Uma mulher poderá abortar livremente até às nove semanas e meia – mas será condenada se o fizer às dez semanas e meia.
Todas estas questões surgiram a partir do momento em que se transpôs a ‘linha da vida’. Até aí tudo era claro: a pena de morte não era aceite, a eutanásia era proibida, o aborto era crime. Não havia dúvidas. Não se colocava a discussão bizarra de saber ‘quando começa a vida’: é evidente que existe vida desde o momento da concepção – e que o aborto, seja em que altura for, representa uma violação da vida. Para sustentarem os seus argumentos, os propagandistas da relativização da vida apresentam exemplos-limite que nos chocam a todos. Mostram famílias cheias de filhos vivendo em tugúrios degradados, para ilustrar a importância do planeamento familiar; apresentam mulheres que foram despedidas dos empregos ou marginalizadas pelas famílias por aparecerem grávidas; contam a história de seres humanos vivendo há anos ou décadas como vegetais, num sofrimento indescritível, pedindo aos familiares para lhes porem fim ao sacrifício.
Estes casos são, de facto, comoventes – e parecem não deixar dúvidas sobre aquilo que se propagandeia. O problema não são estes casos (relativamente raros); o problema são todos os outros (a esmagadora maioria). O problema da banalização do aborto são os abortos feitos levianamente, precipitadamente, inconscientemente, que mais tarde provocam arrependimento e deixam traumas para toda a vida. O problema da legalização da eutanásia são as fraudes a que pode dar lugar pelo país fora, estimulando as cumplicidades entre familiares e médicos para ‘aliviarem’ a vida a idosos com o objectivo de lhes ficarem com a fortuna. E assim por diante.
Por isso, repito: o grande problema foi transpor-se a ‘linha da vida’. Foi esse o grande passo. A partir desse momento tudo se relativizou, tudo se tornou passível de discussão, nada já é seguro. Isso mesmo foi visível em Portugal. Desde o dia em que se admitiu a legalidade do aborto, o processo nunca mais parou. Primeiro, reivindicou-se o aborto para acorrer a situações excepcionais; depois, a situações menos excepcionais; e agora defende-se que possa ser praticado sem quaisquer condições. E o mesmo se passará com as semanas de gestação: agora são 10, amanhã (quando começarem a ser julgadas mulheres por terem abortado às 11 ou 12 semanas) serão 12 e depois 14 e assim sucessivamente.
A transposição da linha que separava a vida e a morte foi um passo tremendo. Porque legitimou todas as intervenções: a vida no útero pode ser interrompida, os vivos poderão ser mortos antes de morrerem, o suicídio é tolerado, a pena de morte poderá voltar a ser discutida, quem sabe?
Abriu-se, como atrás se disse, uma ‘caixa de Pandora’. A caixa da morte.

10 Comentários:

Anonymous libertas escreveu...

É preciso defnder uma política de apoio à natalidade com + e + abono de família para famílias com dois e mais filhos...

Que ninguém aborto por motivos económicos. É o que se exige à Direita partidária: que nos defenda.

2/17/2007 02:14:00 da tarde  
Blogger Lin-Kuei escreveu...

eu acho deveras engraçado e estimulante mesmo ler certos posts porque há pessoas que se dão a um trabalho enorme de tentar denegrir e deitar abaixo uma vitória da razão e do bom senso sobre o ultra-conservadorismos preconceituoso e mesmo xenofobo. Histórias do arco da velha com contornos dramaticos e sensacionalistas cujo o único fim é esconder o verdadeiro motivo da defesa do não a afiliação partidaria, defesa dos supostos valores morais e da religião e a negação da mulher poder ter voto de decisão e ascender a um estatudo de igualdade e não de subserviencia.Este referendo faz-me lembrar as nossas eleições autarquicas em que todos os partidos ganham e ninguem perde e está tudo bem o que reflecte a grande hipocrisia que se vive neste país.

2/18/2007 02:53:00 da tarde  
Blogger Vera escreveu...

´Já viste o que escreveste, lin-kuei? "uma vitória da razão e do bom senso sobre o ultra-conservadorismos preconceituoso e mesmo xenofobo. " Sabes o que isto me faz lembrar? A idade do adolescente pré-adulto, caracterizada pela convicção que domina o jovem "eu sei tudo e os outros são uns burros". Além de revelar fraca queda para a democracia... Não te estou a agredir, só gostava que reflectisses um pouco. Irás ver que nem toda a gente que tem uma opinião contrária à tua é um idiota chapado. Também não percebo o que é que o não tem de xenófobo... e qual é a situação de subserviência da mulher... Gostava que me desenvolvesses estes dois pontos, se puderes...

P.S.: A atitude do saber perder tem que ser largamente utilizada em democracia. Já se viram aqui escritos posts a admitir essa derrota, mas aceitam-na...e isso não é hipocrisia. E neste referendo não foram os do "não" os derrotados, porque esses já nasceram e evitarão que esta prática seja realizada entre os seus ente-queridos..os derrotados foram os que estão por nascer.

2/18/2007 10:01:00 da tarde  
Blogger Lin-Kuei escreveu...

Em primeiro lugar gostava de refutar a tua teoria da pré-adolescencia porque eu tenho 30 anos portanto já não deve ser nem adolescente ou pré-adolescente.Em segundo lugar vamos então explicar a parte das atitudes xenofobas e o estatuto de subserviencia da mulher que toda a gente parece apoiar,não sei se já reparaste mas eu pelo menos já li comentários e posts onde as pessoas agora estavam preocupadas com o facto de poderem ser também despenalizadas as drogas leves e legalizados os casamentos de homossexuais, estes 2 assuntos não tem nada a ver com a questão do aborto então porque menciona-los?Só demonstra uma atitude ultra-conservadora e xenofoba em relação a tudo aquilo que diferente e não faça parte do politicamente correcto na sociedade portuguesa e a parte de se chamar assassinos de bébés as pessoas que votaram sim mostra demonstra um fair-play sem precedentes, eu cá não sei se prefiro que me chamem de idiota chapado ou assassino de bébés estou na dúvida ainda.Subserviencia da mulher e o conceito que a mulher só server para ter filhos e cozinhar e tratar da casa era que dantes toda a gente pensava inclusive as mulheres e é triste constatar que hoje em dia as pessoas ainda possam acreditar que a maioria das mulheres vá tomar uma decisão destas de abortar assim de animo leve. Não nego que vai haver mulheres por este país fora que o vão fazer e se calhar muitas vezes mas também temos outras mulheres e homens que cometem crimes e matam pessoas e infelizmente isso não podemos controlar,temos isso sim que evitar que crianças venham ao mundo para sofrer porque já temos que cheguem.

2/19/2007 10:05:00 da manhã  
Blogger Lin-Kuei escreveu...

ahhh já agora não sei se já reparaste que no final do teu comment no p.s. contradizeste porque dizes que e preciso saber perder mas no entanto no final continuas a criticar e a bater no ceguinho, mais uma das muitas contradições que existiam na campanha do não. E já agora comparar uma decisão dum referendo com os atentados terroristas e desumanos nos EUA e na Espanha é mais uma atitude coerente,correcta e democrática na aceitação e resignação duma derrota ou será que é mau perder? hummmm....

2/19/2007 10:55:00 da manhã  
Blogger Vera escreveu...

"Em primeiro lugar gostava de refutar a tua teoria da pré-adolescencia porque eu tenho 30 anos portanto já não deve ser nem adolescente ou pré-adolescente."

Era pré-adulto.


"estavam preocupadas com o facto de poderem ser também despenalizadas as drogas leves e legalizados os casamentos de homossexuais, estes 2 assuntos não tem nada a ver com a questão do aborto então porque menciona-los?"

Porque são assuntos que estão nas agendas políticas da esquerda e um dia irão a referendo.

"Subserviencia da mulher e o conceito que a mulher só server para ter filhos e cozinhar e tratar da casa era que dantes toda a gente pensava inclusive as mulheres e é triste constatar que hoje em dia as pessoas ainda possam acreditar que a maioria das mulheres vá tomar uma decisão destas de abortar assim de animo leve."

Nada disso. Eu, por exemplo, vou concorrer às forças armadas, não em dou lá muito bem nos "trabalhos da casa", prefiro estudar e ter um emprego que passe pelo esforço intelectual..no entanto, sou contra legalização do aborto. Logo, falo por mim, não pretendo diminuir a importância da mulher na sociedade, e julgo que hoje em dia ninguém aceitaria isso, basta ver que são as mulheres quem ocupa mais vagas no ensino superior, mas acho que a mulher não tem que abortar para se mostrar livre ou igual..isso não passa pela cabeça de ninguém. continuo a dizer: há quem o faça de ânimo leve. De qualquer maneira, nós queremos combater o aborto, não apenas o acto ilegal mas o acto em si. Esta lei, a meu ver, não faz isso.

"temos isso sim que evitar que crianças venham ao mundo para sofrer porque já temos que cheguem. "

Mas isso não significa que não tenham que vir ao mundo. O nosso esforço pretende fazer com que venham ao mundo sem sofrer.

a primeira frase do p.s. quer dizer que é normal que o movimento do "não" não saia para aí "ao tiros"... perdeu, perdeu... Porém, perdeu porque as pessoas não votaram nele, perdeu de um ponto de vista eleitoral...e um ponto de vista eleitoral não mata ninguém. Quem perdeu, em termos "vitais", foram os que estão por nascer, esses sim sofrem as consequências mais graves. É um perder de duas maneiras diferentes, qual será a mais grave?

Hm? eu comparei o referendo com ataques terroristas?
Se bem que esta nova lei vai impedir muitas mais pessoas de viver do que qualquer atentado terrorista, não tenhas dúvidas... O ataque terrorista assasina milhares, a legalização do aborto faz com que milhões por ano não possam sequer vir a nascer.

2/19/2007 01:20:00 da tarde  
Blogger Lin-Kuei escreveu...

As minhas desculpas pelo meu erro na refutação do pré-adulto para pré-adolescente foi um caso de leitura rápida e pouco objectiva da minha parte, lamentavelmente.Porém, quanto as outras questões continuo na mesma sem esclarecimento nenhum e eu gostava aqui também de novamente mostrar o meu enorme desagrado por se estar a comparar atentados teroristas que são premeditados e o são feitos por motivos ideológicos,politicos e religiosos com a vitória do sim no referendo que se tratou duma vitória democrática.Eu muito sinceramente há uma coisa no meio de tudo isto que ainda ninguem me explicou que é como é que vamos ajudar essas crianças que não são desejadas pelas mães?Como?Instituições públicas?Privadas?Como é que é possível as pessoas que defendem a vida e são a favor da vida e a vida meu deus é muito importante vamos defende-la e depois caem na maior das contradições quando são a favor do aborto no caso de violação até 16 semanas?Sinceramente não percebo como é que pode haver tanta hipocrisia ainda e tanta falta de transparencia e verdade num assunto que é muito grave eu acho que as pessoas que acusam as mulheres que abortam de o fazerem de animo leve é que estão a ver toda esta situação de animo leve sem reflectir nos verdadeiros problemas, o não teve 8 anos para tentar por um fim a esta questão nesse 8 anos tivemos foi mais motivos para apoiar desta vez o moviemento pelo sim.

2/19/2007 02:41:00 da tarde  
Blogger Vera escreveu...

"eu gostava aqui também de novamente mostrar o meu enorme desagrado por se estar a comparar atentados teroristas que são premeditados e o são feitos por motivos ideológicos,politicos e religiosos com a vitória do sim no referendo que se tratou duma vitória democrática"

Comparar é um termo muito forte para aqui. Eu não estou a dizer que um aborto é o mesmo que um ataque terrorista..porém, e isso não pode negar, os milhões de abortos feitos todos os anos pelo mundo fora condicionam a vida de mais pessoas do que a soma de todos os ataques terroristas, ou não?

"como é que vamos ajudar essas crianças que não são desejadas pelas mães?Como?Instituições públicas?Privadas?"

Ora vês como chegaste lá. SE um dia tiveres oportunidade, vê uma reportagem sobre as casas SOS (acho que era este o nome)..mete inveja a muitos lares.

"Como é que é possível as pessoas que defendem a vida e são a favor da vida e a vida meu deus é muito importante vamos defende-la e depois caem na maior das contradições quando são a favor do aborto no caso de violação até 16 semanas?"

Já viste aqui algum post sobre isso? Lá por estar na lei não quer dizer que toda a gente concorde.

"eu acho que as pessoas que acusam as mulheres que abortam de o fazerem de animo leve é que estão a ver toda esta situação de animo leve sem reflectir nos verdadeiros problemas"

Eu não acuso ninguém de nada. Apenas vejo a reacção de raparigas que me contam como fizeram..vejo a expressão delas, vejo o estado de espírito, vejo o comportamento, a falta de noção da realidade com que o fazem...

2/19/2007 06:29:00 da tarde  
Blogger Lin-Kuei escreveu...

Eu estou a ouvir falar dessas instituições SOS agora pela primeira vez mas durante o debate e a discussão do referendo nunca ninguem falou nelas e parece-me que se essas e muitas outras instituições de facto funcionassem nós não estavamos aqui agora a discutir o referendo.Felizmente ou infelizmente, depende da perspectiva, nunca poderemos contabilizar o nº de futuras vitimas dum ataque terrorista num futuro próximo ou de mulheres que vão abortar mas obviamente o que está em causa na abordagem destas 2 situações está o acto frio premeditado e calculista de assassinar várias pessoas por motivos políticos e religiosos dum ataque terrorista e a decisão de vida duma mulher que não deseja naquele momento uma futura criança.O aborto até as 16 semanas em caso de violação vai-te informar bem porque além de eu já ter visto isso escrito inclusive defenderam isso na televisão em debates como na sic radical e no canal 1 naquele debate dos prós e dos contras.Quanto aquela resposta do eu vi e eu vejo e disseram-me penso serem coisas insuficientes porque não podemos nunca, felizmente, julgar pessoas só porque aparentemente demonstram ter falta de emoção ou sensibilidade após fazerem um aborto não é de todo correcto e não reflecte de todo a realidade a nível geral.

2/20/2007 09:40:00 da manhã  
Blogger Vera escreveu...

"Eu estou a ouvir falar dessas instituições SOS agora pela primeira vez mas durante o debate e a discussão do referendo nunca ninguem falou nelas e parece-me que se essas e muitas outras instituições de facto funcionassem nós não estavamos aqui agora a discutir o referendo."

Lin-Kuei...o objectivo do governo era que ganhasse o sim...não achas? Elas funcionam e bem, o problema é a contante falta de verbas. Nessas instituições, existe uma espécie de mãe de família que toma conta das crianças, que vivem em grupo como se fossem irmãos, durante anos... E ao contrário do que acontece em muitos sítios, os jovens não têm que sair de lá quando fazem 18 anos, só saiem quando tiverem rendimentos que o permitam. Deram o exemplo de uma rapariga que lá vivia há vários anos e estava no final da licenciatura em Gestão, provavelmente sairia de lá quando acabasse o curso posi tinha muitas oportunidades de emprego.

Quanto às 16 semanas em caso de violação, o facto de uns do "não" serem a favor não quer dizer que todos sejam, logo não podes dizer que somos todos uns hipócritas.
Relativamente ao vi e vejo, os casos que de descrevi não foram apenas aparentes. Não reflecte a realidade a nível geral, então o que é que reflecte a realidade a nívle geral? A pobreza? A falta de planeamento familiar? A falta de apoio psicológico? Todas estas situações podem ser amenizadas, a única que não pode ser amenizada é a mais intolerável: o querer fugir à responsabilidade do estado em que se ficou, num acto de livre e espontânea vontade.

2/20/2007 11:21:00 da manhã  

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