domingo, dezembro 17, 2006

Aborto? Não, Obrigado!

Tal como no referendo anterior, a sociedade portuguesa mobiliza-se para discutir a questão do aborto, rotulada de interrupção voluntária da gravidez para que, creio, todos percebam melhor. Uns, os que já nasceram, não têm problemas em ser a favor do “sim”, a favor de uma lei que sabem nunca os atingir. Os outros, os do “não”, onde me incluo, não querem para os outros o que não querem para eles. Ou seja, se eu tive direito à vida… todos os outros devem ter o mesmo direito.
A tudo isto acresce que defender o “sim” é a mais pura e paradigmática forma de cobardia. Ou seja, se a sociedade não consegue dar condições de vida (aos pais, mas sobretudo às mães), então mate-se quem não tem direito de defesa.
Noutro patamar, seria mais ou menos como a sociedade não ter capacidade para combater o roubo de carros e, para resolver a questão, decidisse legalizar essa actividade, descriminalizando os autores.
Eu sei que, para muitos socialistas, sociais-democratas, comunistas e afins é mais fácil dizer a uma mãe que pode e deve abortar do que lhe dar condições de dignidade que lhe permitam criar o filho. Para mim isso é cobardia e aceitação da falência de uma sociedade solidária e digna.
Por isso: Aborto? Não, Obrigado!

(ORLANDO CASTRO)

6 Comentários:

Anonymous Anónimo escreveu...

As razões da escolha
Existem duas posições radicais em relação à interrupção voluntária da gravidez (vulgo aborto): uma, que encara o feto como um dom divino, comum entre católicos, e que, por essa razão, não admite o aborto, sejam quais forem os motivos; outra, que encara o feto como uma parte do corpo da mulher, comum entre a extrema-esquerda, e que aceita o aborto, sejam quais forem os motivos.

Na minha modesta opinião, ambas as posições estão erradas: a primeira, porque pretende tornar verdade universalmente aceite uma ideia religiosa que, naturalmente, só é válida para os crentes; a segunda, porque faz tábua rasa de toda a investigação médica realizada durante as últimas três décadas sobre a vida intra-uterina e rejeita, sem qualquer fundamento científico, a existência de um ser humano (ainda que "incompleto" ou em desenvolvimento), logo "outro" em relação à mulher que o gerou.

Estas duas posições radicais geram, normalmente, atitudes radicais. Vemos os primeiros as chamarem assassinos aos segundos e estes a chamarem fanáticos àqueles.

No contexto actual, este tipo de discussão não só não leva a lado nenhum como é contraproducente, numa altura em que o mais importante é esclarecer as pessoas para que, no momento do referendo, cada um tenha a consciência exacta do que está a fazer e das consequências do seu voto.

Existem, depois, as várias posições intermédias: os que defendem apenas o aborto terapêutico, ou seja, os casos em que a saúde ou até a vida da mulher grávida está em risco; os que defendem também o aborto eugénico, ou seja, os casos de mal-formação do feto; existem, ainda, os que defendem o aborto no caso de violação; e, finalmente, os que defendem o aborto por razões socio-económicas, ou seja, os casos em que o prosseguimento da gravidez conduziria a consequências muito graves na estabilidade económica e social da mulher grávida.
Todas estas posições intermédias se baseiam no princípio do mal menor, mas todas exigem um motivo para realizar a interrupção da gravidez. Temos uma coisa indesejável - o aborto - que é colocada em confronto com outras coisas indesejáveis. Colocadas no prato da balança, o que varia nestas posições é o peso que cada uma atribui a cada um destes "males".

Enquanto entre posições radicais não há discussão possível, entre estas posições intermédias (a da maioria da população, reconheça-se) há todo um debate que urge fazer, sem proselitismo, sem radicalizar posições e nunca, nunca rotulando as pessoas que tomam uma ou outra posição.

Gostava de ver mais serenidade na campanha para o próximo referendo.

12/18/2006 02:17:00 da tarde  
Blogger Tony escreveu...

Peço desculpa pelo que vou dizer mas... como cristão católico sinto-me de certo modo ofendido pela maneira como falaste "mca". Tendo em conta que Deus é AMOR e que na sua maioria das vezes uma criança é gerada por um gesto de amor... então pode-se que o feto é um dom divino. Agora, penso que não podes dizer que a Igreja é contra o aborto apenas por o simples facto do feto ser "um dom divino"...

Dom = Aptidão / Donativo

e por isso dizer que um feto é um dom divino, quase que parece que dizes que é que fez aquele ser (o que não é verdade).

Se as pessoas tivessem cabeça e um bocado de cuidado com o que fazem, tenho a certeza que não haveria tanta mulher grávida, gente pobre e muito mais...

A Igreja é contra o aborto porque é contra todo e qualquer tipo de agressão contra a Vida Humana.

Falando da minha parte (independentemente de ser cristão ou não), concordo com o que disseste a seguir.

O aborto não pode nem deve ser mais uma solução pra algo que simplesmente alguém não deseja. Se não tratarmos a fonte de problemas, como é que poderemos resolver o seu resultado?

O aborto não é uma questao de politica ou de religiao... o aborto é uma questao de Vidas Humanas que se destroem... quer as que nem chegam a nascer para este mundo, quer as que cá ficam e sofrem com os actos que se fazem...

Sim... vamos lá esclarecer as pessoas, pois isso é que é preciso.

12/18/2006 05:26:00 da tarde  
Blogger Camisa Azul escreveu...

Sempre que alguém afirma que dois e dois são quatro

e um ignorante lhe responde que dois e dois são seis,

surge um terceiro que, em prol da moderação e do diálogo,

acaba por concluir que dois e dois são cinco...

12/18/2006 10:06:00 da tarde  
Anonymous Falstaf escreveu...

" Esse direito é da natureza, é incontestável. A origem de todos esses erros grosseiros reside na extravagância dos sistemas deíficos. Os imbecis que acreditavam em Deus, persuadidos de que era só a ele que devíamos a existência e que portanto quando o embrião entrava em maturação logo uma pequena alma emanada de Deus o vinha animar, - foram esses parvos, repito, quem deve ter chamado crime capital à destruição dessa pequena criatura, porque, segundo eles, não seria pertença dos homens. Seria obra de Deus, pertenceria a Deus: quem poderia dispor dela sem cometer crime? Mas logo que o facho da filosofia dissipou todas essas imposturas, desde que a quimera divina foi calcada aos pés, desde que, mais bem instruídos nas leis e segredos da física, desenvolvemos o príncipio da geração, vendo que esse mecanismo material nada mais apresenta aos nossos olhos que seja mais admirável do que o desenvolvimento do grão de trigo, nessa altura recorremos para a natureza contra o erro dos homens.
Ampliando a medida dos nossos direitos, acabámos por reconhecer que tínhamos completa liberdade para nos apossarmos de algo que, contra a nossa vontade ou por acaso, tínhamos dispensado, sendo impossível exigir de qualquer indivíduo tornar-se pai ou mãe sem querer; reconhecemos que uma criatura a mais ou a menos no mundo não era coisa com tantas consequências e que, em resumo, éramos sem dúvida senhores desse bocado de carne, embora animado, da mesma forma que o somos das unhas que cortamos e que temos nas pontas dos dedos, das excrescências de carne que de nosso corpo extripamos, ou das digestões que expelimos das tripas, dado que tanto uma coisa como as outras dependem de nós, pertencem-nos, e nós somos os possuidores absolutos de tudo aquilo que de nós emana. (...)"

in "A Filosofia na Alcova", Marquês de Sade

12/25/2006 02:51:00 da manhã  
Anonymous Falstaf escreveu...

E já agora citando o Tony "A Igreja é contra o aborto porque é contra todo e qualquer tipo de agressão contra a Vida Humana.", só gostava de lhe perguntar se esqueceu o facto de o Vaticano ser um dos mais ricos estados do mundo, e o quanto isso ajuda imenso a erradicar a fome ou " qualquer tipo de agressão contra a Vida Humana" no Mundo, como todos nós sabemos.
Pelo menos sabemos que ajuda a erradicar a fome desses bispos barrigudos, enfeitados de jóias e ouro.
A Igreja desculpou-se dos "crimes" da Inquisição, mas não devolver o dinheiro roubado por esta, em prol de um Mundo melhor. Também se desculpou das mortes de milhares de indios sul-americanos, mas não lhes devolveu o ouro que lhes roubou, para tornar o seu futuro melhor.
Temos de admitir que a Igreja é patética, e que não tem o mínimo de respeito pela vida de ninguém.
Citando mais uma vez "Se as pessoas tivessem cabeça e um bocado de cuidado com o que fazem, tenho a certeza que não haveria tanta mulher grávida, gente pobre e muito mais...", devo dizer que a Igreja também foi, durante muito tempo, perita em manter as pessoas na ignorância e na pobreza. Felizmente certos aspectos desta manipulação já não se fazem sentir com tanta força hoje em dia. Mas ainda se sentem...

12/25/2006 03:20:00 da manhã  
Anonymous Anónimo escreveu...

Na minha opinião defender o "não" é a mais pura e paradigmática forma de cobardia. Todos nós devemos ser responsáveis pelas decisões que tomámos na vida e não devemos querer impôr os nossos valores aos outros. Direito à escolha e Sim à despenalização da mulher na interrupção "voluntária" da gravidez.

12/31/2006 05:38:00 da tarde  

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