sábado, outubro 21, 2006

Um problema de visibilidade

Um dos aspectos mais curiosos das posições pró-abortistas está na relevância decisiva que assume a invisibilidade do feto; nascesse a criança e aí tudo seriam desvelos, ai de quem não assegurasse a devida "protecção materno-infantil"... Mas o não nascido não é visível. E o aborto normalmente também não. Por isso a extrema sensibilidade dessas correntes a que se mostre, por imagens cruas e verdadeiras, o que na realidade é o aborto.
E têm razão: a visualização acaba com a argumentação oca e vazia. Um obstetra meu conhecido contava-me há uns anos que, primeiro por razões científicas, tinha uma interessante colecção de filmes sobre a vida intra-uterina, que ia realizando no seu trabalho. Depois, a certa altura, quando as suas grávidas surgiam com as dúvidas dramáticas que conduzem ao aborto, lembrou-se de algo muito simples: passou a convidá-las a ver os filmes. Dizia-me ele que era uma experiência espantosa: muitas mulheres não se tinham dado conta antes que aquilo que sentiam dentro de si era uma criança, igual a todas as crianças. E ninguém decidia fazer abortos depois de ver aquelas imagens.
A este propósito, achei deliciosa uma estória verdadeira que passo a contar.
No café via-se em grupo o telejornal. De súbito passa em rodapé a notícia: um bébé tinha sido encontrado morto numa sanita. E alguém exclama triunfante: "É por estas coisas que sou a favor do aborto..."
Admire-se o desabafo: se aquela criança tivesse sido eliminada uns tempos antes ainda na barriga da mãe não teria surgido assim no telejornal, a estragar as digestões. Teria simplesmente sumido por uma sanita qualquer. E quem fosse responsável por essa atempada decisão teria sempre a seu favor as opiniões generosas de quem assim se impressiona com a patente malfeitoria de a abandonar para morrer numa sanita.

5 Comentários:

Blogger maria escreveu...

Muitos parabéns por erguer bem alto a sua voz em defesa dos inocentes silenciosos que ainda não a têm e que, caso a tivessem, gritaríam bem alto: EU QUERO NASCER.

Maria.

10/22/2006 12:04:00 da tarde  
Blogger Luis Rainha escreveu...

A sua "estória verdadeira" tem uma moral que lhe escapou: um feto com menos de 10 semanas não tem o sistema nervoso central a funcionar. Nem sequer o tálamo ligado ao córtex.
O bebé encontrado na sanita já era, biologicamente falando, um ser humano, uma entidade senciente. Está a ver a diferença?

10/23/2006 06:35:00 da tarde  
Blogger Camisa Azul escreveu...

Se essa diferença é o suficiente para aplacar a sua consciência, para mim não é.
È e será sempre uma vida que se tira é e será sempre o assassinato de um inocente.

10/23/2006 09:41:00 da tarde  
Blogger pedro guedes escreveu...

Eu estou a ver a ideia do Luís Rainha - cujo aparecimento por aqui saúdo - mas por acaso não estou nada a ver a diferença. E vejo menos ainda se pensar em concordância com as teses que LR aparentemente sufraga, de igualdade e fraternidade entre todos os seres humanos... aí então é que não vejo mesmo nada.
Enfim, já sei que neste caso há uns que para o LR não são humanos; serão hortaliças?

10/23/2006 10:41:00 da tarde  
Blogger Ana A. escreveu...

Portanto, ali o sr Luís Rainha é que determina o início da vida...

10/26/2006 04:31:00 da tarde  

Enviar um comentário

<< Entrada