terça-feira, outubro 31, 2006

PALAVRAS DE ONTEM

(Um comentário do escritor brasileiro Gustavo Corção a notícias sobre a legislação suíça sobre o aborto).

Por falar em aborto, ouvi dizer que na Suíça tornou-se legal. Não sei detalhes. Não sei em que circunstâncias, pelos quatro cantões da Suíça, tornou-se admissível matar a criança que teve a impertinência de brotar num ventre de moça. Imagino que os suíços, que são reconhecidamente um povo ordeiro e asseado, e sobretudo muito deferente com os turistas, tenham descoberto excelentes razões para assassinar pequeninos suíços. Uma das razões que imagino seria a seguinte: mata-se a criança excedente pelo bem da pátria e da família. Um pouco como se queima o café, para valorizá-lo. De uma senhora, que tem um Pontiac verde-claro, já ouvi dizer que se justifica "não guardar" para manter o "padrão de vida". Não se guarda a criança para guardar-se o Pontiac. Outra senhora, um pouco menos desvairada, alega que fuzila a criança não nascida em benefício das outras já nascidas.
Esses argumentos chegaram aos ouvidos de meu amigo Álvaro Tavares que sugere uma emenda para a teoria dessa senhora que mata um filho em benefício dos outros: admitido que se deva matar um para benefício da família e da sociedade, devemos deixar a criança nascer, e, mais tarde, num conselho de família, escolher a criança mais feia, ou mais bronca na tabuada, ou mais birrenta na mesa, e então executá-la para o maior bem da família e da pátria.
Concordo inteiramente com essa emenda apresentada pelo meu amigo Álvaro Tavares. Em nome da psicologia, da sociologia e da eugenia, acho precipitada a pena de morte que recai sobre a "criança desconhecida". O mundo, entre seus momentos de prolongado desvario, já teve a ideia de honrar o soldado desconhecido; mas nos seus piores momentos ainda não teve a ideia de fuzilar um criminoso desconhecido. E muito menos um desconhecido inocente. Aprovo pois a emenda e aqui acrescento o meu pesponto. Em lugar do conselho de família, eu sugiro que consultem um psicotécnico.
Voltando aos suíços, confesso que não me espantei demais com a notícia. Tenho desconfiança desses países muito ordeiros, muito arrumados. Tenho horror a hotéis. Só me espanto com uma incoerência que vejo nessa lei dos suíços: se a religião daquele pitoresco país é o turismo, se tratam tão bem os que chegam das Américas, porque diacho maltratam assim o pequenino turista que ingressa num dos quatro cantões pela mais antiga das portas?

Despenalização do aborto

Para quem tinha duvidas esta notícia acaba com elas.
O negócio está montado.
Carniceiros de todo o mundo uni-vos.

Recordando o "barco do aborto"

Lembram-se da abortada manobra do barco do aborto?
No fim do dilúvio noticioso que cobriu a iniciativa, confessaram os responsáveis que a sua linha especial de atendimento para socorrer mulheres desesperadas tinha recebido um total de vinte chamadas - até desistirem dela.
Copio um parágrafo de uma notícia do "Portugal Diário":
"A organização Women on Waves recebeu cerca de 20 chamadas de mulheres portuguesas a pedir informação sobre o "Barco do Aborto", mas a linha de atendimento especial está desligada, disse hoje à Agência Lusa fonte da associação".
Como se pode, depois disto, continuar a apresentar a questão do aborto como um dramático problema de saúde pública que afecta multidões de portuguesas que por aí sofrem sofrimentos inomináveis enquanto aguardam alterações legislativas? Não será altura de confessar abertamente que se trata apenas de um ponto programático de grupos políticos de dimensão quase confidencial que por esta forma procuram evidenciar-se?
Não será evidente que a esmagadora maioria dos portugueses e das portuguesas está fartíssima de tal conversa, e vota o assunto à indiferença e ao esquecimento?
Vinte chamadas a pedir informação! Depois da aluvião propagandística! E dessas vinte provavelmente quase todas serão de jornalistas e outros curiosos...
Por aqui fica à vista a magnitude e a urgência do "problema".
Apetece-me aprofundar a análise e atacar a fundo: quem tem um sério problema é uma certa esquerda, sociologicamente de extracção exclusivamente burguesa, que há muito abandonou as causas ligadas ao social que lhe garantiam a boa consciência (os trabalhadores foram relegados para o baú da história..), e agora se agarra desesperada aos temas "fracturantes", de cariz moral sobretudo, e de preferência conexas com a moralidade sexual ou afins, a fim de garantir a sua própria sobrevivência - já não nas "massas trabalhadoras", mas antes nas camadas da burguesia urbana alienadas pela sociedade de consumo, que dita o domínio da facilidade, o princípio do prazer, a busca da satisfação imediata, e para quem a simples existência de uma moral, que exige e impõe, já é uma ideia insuportável.
Enterrada a esquerda dos operários, temos no seu esplendor a esquerda dos costureiros, dos publicitários, dos manequins e das vedetas de televisão.

Ainda agora começou...

Do Prós e Contras de ontem pouco mais há a considerar além da falácia completa dos argumentos dos Sim. Exceptuando isso, tivemos um 3 contra 1 - Zita Seabra afundou o barco - e uma plateia de assassinos verbais. Houve comentários pouco "próprios", típicos de gentalha, que infelizmente não se ouviram em casa. Aliás, passou-se muita coisa e disse-se outra tanta que as câmaras não captaram. Como já confessei a quem esteve presente, "tinha espetado uns murros em alguém". CARRASCOS!

Valeram as intervenções do Dr. Gentil Martins, do Dr. João Paulo Malta e da juventude pela vida.

também publicado aqui

No terreno

Revista de imprensa

Resposta de uma mulher ao senhor ministro da Saúde

(Um excelente artigo de Alexandra Tété, da Associação Mulheres em Acção, no "Público" de hoje)

1 - Segundo parece, na badalada Conferência Internacional sobre a Saúde Sexual e Reprodutiva da Mulher, o dr. Correia de Campos fez um apelo às mulheres e aos médicos para que promovam o sim à “despenalização” do aborto. No que respeita aos médicos, a quem o senhor ministro pede que abjurem de um código deontológico milenar de serviço à vida humana, haverá com certeza alguém que lhe responda. No que toca ao primeiro apelo referido, gostaria - enquanto mulher - de fazer umas observações. De facto, na mesma ocasião, o dr. Albino Aroso terá dito que "nenhum homem sabe o que é levar até ao fim uma gravidez não desejada". Presumo, portanto, que ele próprio também não sabe, nem desejada, nem indesejada. Tão pouco o sabem o senhor dr. Sócrates ou o senhor ministro da Saúde.
2 - Não julgo que valha a pena insistir na vacuidade, contradições (e, já agora, demagogia) dos dois "argumentos" apresentados por José Sócrates. Basta pensar que a proposta do PS "persegue" e "envia para a prisão" as mulheres que abortam às 11 semanas de gravidez, às quais não evitaria o aborto clandestino (o qual, aliás, como já reconheceram alguns defensores da liberalização, não acabará, por razões várias). Mas esta incoerência chama a atenção para o verdadeiro "clandestino" dessa argumentação - o não nascido - e para o que estará em causa no próximo referendo: saber se essa vida humana deve ser protegida pela lei, ou se, pelo contrário, deve ficar à mercê do interesse arbitrário de outrem, como se fosse uma "coisa" para usar ou deitar fora, sem valor intrínseco, a custas do Estado.
3. Registo também a insistência desesperada dos adeptos do "sim" na afirmação de que o objecto do referendo é a despenalização do aborto e não a sua liberalização, como malevolamente propalariam alguns. Repare-se: o aborto até às 10 semanas passaria a ser livre, universal e gratuito. Não se trata apenas de uma despenalização ou de uma mera descriminalização. O Estado passa a colaborar activamente na prática do aborto, vinculado somente ao desejo da mulher. Enfim, o que se pretende é mesmo a consagração do "direito ao aborto", até às 10 semanas, como se "na minha barriga mandasse eu".
Todavia, para contrariar este efeito, - como já foi explicado, e por muito que isso irrite ao dr. Sócrates - não é necessário "perseguir as mulheres". No nosso sistema jurídico já estão previstos mecanismos que conciliam a função do direito penal de tutela de bens jurídicos fundamentais (como é, antes de qualquer outro, o da vida humana) com a consideração de circunstâncias atenuantes da culpabilidade, associadas a condições dramáticas e desesperadas de existência.
4. Por fim, não me comove a alegação de que Portugal tenha uma das leis mais restritivas da Europa. Não é que o direito penal comparado não seja interessante ou que não devamos estar atentos às "melhores práticas". Contudo, por um lado, o que os outros fazem, embora relevante, não pode substituir ou anular o que a própria razão e consciência nos dita. Por outro lado, ao longo da história, muitos avanços civilizacionais (a escravatura, os direitos políticos dos pobres e das mulheres...) foram conseguidos pela resistência de uma minoria com razão face a uma maioria sem razão. Por último, o conhecimento adquirido nos últimos anos - quer os progressos científicos no campo da genética e fetologia (que tornam incontornável a questão do estatuto jurídico do não nascido), quer a descoberta das consequências devastadoras para a mulher que o aborto (legal ou clandestino) acarreta - torna cada vez menos defensável, numa sociedade decente, que o aborto seja considerado um "direito". Agora, em Portugal, podemos evitar isso.

A riqueza do 'Não'

Lendo um pouco por todo o lado análises várias ao debate ontem mantido na RTP, ocorre-me registar que, como provavelmente acontece em qualquer referendo, uma das maiores riquezas do ‘não’ reside na diversidade de posições individuais que o constituem e legitimam. Como é evidente, nem todas são credoras da minha concordância apesar de me merecerem idêntico respeito. Sejamos claros: há quem assuma a defesa da Vida por motivações religiosas (não é o meu caso, saiba-se) ou tão apenas éticas e/ou filosóficas; há quem esteja de acordo com a actual lei e quem desde sempre a tenha combatido e se mantenha pouco propenso a mudar de ideias. Direi, por exemplo, de minha justiça: das três excepções que a actual lei consagra, apenas uma me parece perfeitamente sustentável – concretamente quando está em causa o risco de vida da mãe. Excluída essa, as duas restantes não me seduzem por aí além.
Aqui chegado, importa dizer que cada um encontra na sua posição individual a construção de uma tese que considera ser coerente e defensável sem entrar em contradições. Pois que assim se mantenham as coisas é o que francamente desejo. Não pretendo, de modo algum, que os restantes cidadãos que se opõem à liberalização total do aborto a pedido pensem como eu, mas parece-me sensato que me seja concedido o direito a não ter que argumentar contra a minha consciência. E é nesse quadro que digo claramente que, a meu ver, a ideia peregrina de suspender julgamentos ou de mostrar hesitações quando toca a sustentar o cumprimento da lei em nome de uma qualquer tolerância abstracta cujo fundamento lógico não consigo lobrigar, se me afigura puro delírio.
Recordo que na campanha de 1998 já existiam diversos caminhos para chegar ao ‘não’. Creio inclusivamente que quem tenha acompanhado de perto essa campanha se apercebeu facilmente de diferentes visões do problema existentes entre os vários movimentos e plataformas pró-Vida, sem que daí tenha vindo mal ao mundo, antes pelo contrário. Lembro-me mesmo que, seguindo parte da noite eleitoral no "quartel-general" de uma das organizações que então estavam no terreno – e que graças a Deus se mantém no seu posto – era visível essa diferença de motivações e alguma desconfiança em relação às reais motivações, por exemplo, da participação dos partidos políticos na campanha. Tudo isso me pareceu, como parece, natural.
O que já não seria natural era pretender que, face a novo referendo e por qualquer razão que a razão desconhece, os dados se tivessem alterado a tal ponto que todos tivessem que secundar o mesmo argumentário, mesmo quando esse se mostre, aos olhos de alguns, como insustentável por mais do que cinco minutos de discussão.
Tal como há oito anos, a diferença e a liberdade de ter distintos pontos de partida para chegar à mesma conclusão são muito possivelmente o grande trunfo do ‘não’. Não o desperdicemos.

Revista de imprensa

Prós & Contras

Não me vou alongar sobre o programa até porque muita coisa sobre o mesmo já aqui foi escrita.
Pelo que me foi dado perceber, a táctica dos defensores do sim vai basear-se sobretudo em dizer que o referendo visa despenalizar o crime cometido pelas mulheres que abortam. É uma maneira ardilosa e cobarde de defender uma ideia. É tentar enganar as pessoas.
Por outro lado no princípio do programa, a apresentadora disse que a plateia para além de outras pessoas era formada por juventudes partidárias. Seriam todas as juventudes partidárias?
Fiquei muito surpreendido com o que disse o Dr. Gentil Martins sobre o aborto nos USA. Não me admira que o lobby abortista em nome da modernidade, da opção das mulheres tente levar as suas reivindicações até ao ponto de se poder deixar morrer um filho à fome porque tem uma mal formação grave, ou até talvez a vida só ser possível para os louros de olhos azuis (e depois o nazi sou eu).

A ler

"Resposta de uma mulher ao senhor ministro da Saúde", artigo de Alexandra Teté no Público de hoje (ligação não disponível).

A conferência

(Um texto do grande GUSTAVO CORÇÃO que me parece vir muito a propósito).

Dias há em que a gente fica triste com o ofício que tem. Imagino como não deve ser enervante para as cozinheiras, nesses dias, a atmosfera das frituras e a companhia das caçarolas; como não deve ser monótono para o ferreiro o gemido das bigornas; como não deve ser triste, muito triste, o vai-e-vem da agulha na mão picada da velha costureira. Cada ofício é uma prisão: as coisas ficam sendo o que são pelo bagaço. E o cárcere do ofício é duro, asfixiante, enervante...
Ora, a minha profissão – assim me parece nesses dias – é ainda mais triste do que as outras. A cozinheira vê seus pratos feitos, substancialmente constituídos; e vê a alegria da casa alimentar-se de seu feijão. O ferreiro vê o ferro curvar-se, conformar-se e obedecer. E a costureira vê a perseverante agulha conquistar o pano de ponto em ponto, obrigando-o a seguir os contornos de um corpo e os movimentos de uma alma. Nesses ofícios tudo é concreto, tudo é palpável.
Considerem agora o meu. Que fabrico eu? Palavras. Escritas ou faladas, da manhã à noite, no papel, na sala de aula, ou diante de um microfone que esconde não sei quantos ouvintes – talvez nenhum – eu cozinho palavras, eu forjo palavras, eu costuro palavras. "Words, words, words..." Meu ofício é um ronronar que já dura trinta anos. Triste ofício. E não sou eu só que dele descreio. Tu também, amigo leitor, tu também não crês no meu ofício. Gostas de ler. Aprovas-me quando logro alinhavar com alguma felicidade os meus adjectivos ou quando prego com boa linha as minhas conjunções. Mas confessa: na verdade, não acreditas muito no valor dessa procissão de sinais escritos, e muito menos crês no fugaz valor do som articulado que sai duma velha garganta cansada de ronronar. Palavras hoje, palavras amanhã. Em tempo e contra tempo...
Ora, estando eu num desses dias de preamar da melancolia, um outro oficial do mesmo ofício contou-me uma linda história. Ele pronunciava, diante de selecto auditório (como se costuma dizer) uma conferência sobre casamento, limitação de natalidade e aborto. Acabada a conferência e ouvidas as palmas que, como todos os sons, também se perdem no ar, o nosso conferencista voltou para casa. Ia triste. Revolvia na memória as ressonâncias do que dissera. O selecto auditório estava, evidentemente, de acordo com o que ele dissera. O universo continuava o mesmo depois da conferência; ou se não, se mudara, se o trajecto de algum átomo sofrera algum desvio milimétrico, as vidas, os corações, os selectos corações, ao contrário, seguiriam seus itinerários sem que o sopro das palavras conseguisse desviá-los. O que é uma conferência? Um sopro. Um vento. Falar é modo requintado de abanar... No caderninho de notas do conferencista, estão as outras conferências aprazadas: depois de amanhã, dia 15, dia 24, etc., etc., etc.
Quatro meses mais tarde, estando o nosso orador à porta de uma livraria a ver passar o mundo, é abordado por uma moça risonha com sete meses bem contados de gravidez, E sem mais preâmbulos, apresentou-se:
– Naquela conferência eu estava de três meses. E não ia ficar. Tinha resolvido não ficar. Mas o senhor disse aquela frase...
A moça despediu-se. Dobrou a esquina. O conferencista viu ainda uma vez o majestoso perfil da gravidez, e quedou-se a pensar. Que frase? Não se lembrava. Lembrou-se de uma página de Edgar Allan Poe, onde o poeta diz que as estrelas do céu nasceram de palavras de amor. A sua frase – que frase? – lá com suas conjunções, advérbios e proposições fizera alguma coisa maior, infinitamente maior do que as estrelas do céu: salvara uma criança. Será menino ou menina?

QUESTÃO DE CONSCIÊNCIA















Slogan Pró-Aborto: «O aborto é uma questão de consciência»

Sobre isto diga-se o seguinte:

1. Está em jogo saber porque podem uns seres humanos matar outros. A isto respondem que a morte de uns seres humanos às mãos de outros é uma questão de consciência. Parece-lhe verdade?

2. Com igual legitimidade se poderia dizer que a uns seres humanos é lícito escravizar outros, porque «a escravatura é uma questão de consciência». Ou, ainda com a mesma legitimidade, todos se poderiam alhear dos campos de concentração alemães ou do Cambodja porque, afinal, tudo depende da consciência dos guardas.

3. E porque podem os pais matar os seus filhos recém-nascidos? Bom, «porque o infanticídio é uma questão de consciência».

4. Ainda que se aceitasse que a única limitação ao aborto fosse a consciência da mãe, o slogan não explica porque é que o filho às 10 ou 12 semanas salta para fora da consciência da mãe. O que lhe aconteceu para que já a sua vida não dependa da consciência? E porque não se aplica o mesmo às crianças que podem ser mortas, segundo a lei portuguesa, até às 16 ou 24 semanas?

5. A consciência é tão atreita a doenças como os pulmões ou o coração. Nenhuma consciência deveria permitir ao seu sujeito, por exemplo, meter-se na droga. E, não obstante, muitas consciências falham. E é sabido que muitos criminosos, depois de muito calarem a consciência, acabam a cometer crimes em série sem nenhum problema... de consciência. E o recíproco também é verdade: muitas pessoas vivem atormentadas porque a consciência as acusa de algo sem qualquer mal. É sabido também, que no pânico, muitas consciências podem ser amordaçadas. E é sabido que os países fazem leis precisamente porque não se pode confiar na consciência de todas as pessoas. De tudo isto resulta que nem remotamente existe essa infalibilidade da consciência que os defensores do aborto lhe querem outorgar.

6. Além do mais, está em jogo saber quais são os seres humanos executáveis. Não se pode dizer que se um ser humano for filho de uma mãe a cuja consciência repugna o aborto, então esse é um ser humano não executável; já quando a consciência da mãe aceita o aborto, o ser humano é não-pessoa e por isso é executável. Nos dois casos é o mesmo ser e o valor de um não pode estar indexado à consciência de outro. Se ele pode ser morto é por aquilo que é e não pela consciência (que até poderá ser deformada) de outro.

7. A origem deste slogan parece estar em duas confusões. A primeira é algo do tipo: «o aborto é mau porque é um pecado; simplesmente, ninguém tem o direito de impor o seu conceito de pecado, que é uma opção da sua consciência, a terceiros». De facto, tudo isto poderia ser verdade se o aborto fosse só um pecado. Mas no aborto uns seres humanos arrogam-se no direito de matar outros seres humanos. Se umas pessoas chamam a isso pecado, em nada se altera a aceitabilidade do acto e a questão continua de pé: uns seres humanos podem matar outros ou não?

8. A segunda confusão parece resultar de uma identificação entre o acto de abortar e o acto de votar uma lei do aborto. No Parlamento existe a chamada disciplina de voto. Esta, porém, não pode ser omnipotente: não pode esmagar a consciência dos deputados obrigando-os a votar algo que repugna às suas convicções. Quando os partidos entenderam que o aborto é uma questão de consciência, não se referiam ao acto de abortar mas sim ao acto de votar a lei do aborto. No último caso, dizer que era matéria de consciência foi o expediente encontrado para dispensar os deputados da disciplina de voto. Não era a formulação de um princípio que se aplicava ao aborto em si. Lamentavelmente esta distinção perdeu-se e, sem cuidar do ridículo, por todo o lado se ouve dizer que o aborto é uma questão de consciência.

Adaptado de A Aldeia

[Demokrata]

Fim

Fátima Campos Ferreira pergunta a Zita Seabra qual a sua opção de voto. Parece-me uma pergunta apropriada.

Infanticidio

Hoje combatem os nossos argumentos alegando o artigo 66º do código civil, ou seja, os fetos não tem personalidade jurídica. É verdade, mas não quer dizer que tenham vida e que esta deva ser defendida. Também se proibe o abate de certas árvores, e quem sofrerá mais, o feto ou a árvore?

Observando o tema do infanticídio, este compreende o assassinato de um recém-nascido pela mãe, alterada por toda a situação do parto. Estamos a falar de uma pessoa titular de direitos legalmente protegidos (nem sequer estamos a falar de direitos presumidos ou análogos) entre os quais o mais elementar, o direito à vida, e que muitas associações pró escolha defendem a sua despenalização, o que já acontece nalguns estados dos EUA. Para se aplicar tal medida em Portugal, a lei teria que dar uma grande volta, mas a vida ensinou-me a nunca dizer nunca nem a virar a cara a cada combate!

Liberalização total

O dr. Oliveira e Silva já vê mais à frente. Acabou de garantir que um aborto feito após as dez semanas não tem que ser penalizado, não tem que ser condenado. Mais dois ou três anos e ainda o vamos ver a defender o infanticídio.

A questão da violação

Um bebé, fruto de uma violação, tem tanto direito à vida como outro qualquer! Mas neste caso não temos a responsabilização do acto da mulher. Cada um deve assumir a responsabilidade dos seus actos, mas uma mulher não deve assumir a responsabilidade de um acto que não quis pratircar e ao qual foi coagida! Isso são argumentos faceis, mas tenho pena que quem lá esteja não consiga contradizer.

ps: Aquela parva que é atriz, tem a mania que sabe muito, mas que fale pela dignidade dos fetos!

Isto promete!

...já estão a fazer o beicinho!

Não há argumentos que resistam :)

Cala-te Daniela!

Não esplicamos aqui tantas vezes que o aborto clandestino nunca irá acabar? A culpa não é dela, é de quem a meteu lá...

ps: A doutora (não sei o nome dela, acho que é a Alexandra) está a falar muito bem!

Juventude que conta

Comparem aqueles jovens e tomem uma decisão. Não me parece difícil.
E já agora só dizer a Edite Estrela que afinal sempre há mulheres portuguesas malucas: são jovens, burras e votam Sim.

Agora sim

Falam a Joana, a Maria e o Rodrigo! Haja esperança!

O povo é quem mais ordena

Começaram a falar as malukas...

Imposição da Lei

A verdade foi exposta pelo batonário da ordem dos médicos: "a ordem nunca poderá impor sanções a médicos que não tenham violado a lei." Nenhum tribunal o premitirá, mas a objecção de consciencia, num caso destes, nunca poderá ser posta em causa!

A luta é desigual, mas o que me motiva é a constatação de tal facto!

Silêncios que dizem muito

Num painel de três contra um, o defensor da Vida - dr. João Paulo Malta - é manifestamente o cidadão mais bem educado e aquele que nunca interrompe ninguém. Estas coisas não são assim por acaso.

Qualquer dia...

... estamos a referendar se a objecção de consciência não será ilegal!! Quem ver?

Manipulações

O debate transformou-se num tempo de antena do SIM. Vale o Dr. Gentil Martins! A Fátima Campos Ferreira é má moderadora, mas as culpas vão, em grande parte, para Zita Seabra. E para quem a escolheu, claro, já que o fez com intenção.

É uma estrela!! (III)

Edite Estrela continua na senda da falácia. Ou querem convencer-me que a senhora conhece todas as portuguesas para poder afirmar, aos berros, que "as portuguesas não são levianas"?

"Há um movimento de católicos pela escolha"...

... bem, os católicos pela escolha não são católicos. Dizem-se católicos...

Do painel

Com tantas Mulheres em Acção e tantos pais Juntos pela Vida, quem é que se lembrou de convidar a dra. Zita Seabra para a mesa? O engº Sócrates?

Já agora...

... ninguém fala da paternidade? Cheira-me a discriminação sexual!

É uma estrela!! (II)

É verdade Pedro Guedes. A Edite afundou de vez. Afinal as mulheres grávidas são doentes. Ou seja, a vida é uma doença (?)

É uma estrela!!

Comparar o aborto ao divórcio é RIDÍCULO! Edite Estrela no seu "melhor"!

Desculpe...

É impressão minha ou a douta Edita Estrela comparou grávidas a drogados?

A meia-vitória do PS

Em parte o PS começa a vencer: entretém-se o povo a discutir o infanticídio. Dá margem de manobra ter o espaço da opinião publica meio cheio. E se ganhar o Sim, sempre se sacam uns votos à esquerda, já que os do centro-direita estão, por enquanto, garantidos. Tem razão o bastonário da Ordem dos Médicos.

Forgiving Dr. Mengele

Na questão do Aborto, ao contrário do que muitos querem fazer crer, há apenas uma discussão. Não interessa, por certo, todo o problema económico. O argumento de que se podem dispensar uma quantas vidas humanas para o bem-estar dos restantes é um argumento doentio e que abre caminho para os maravilhosos caminhos da eutanásia e eugenia (consentida ou não). Uma trapalhada de porcos e não de gente...

Só existe necessidade de definir quando a vida humana surge, algo que é impossível sem uma concepção de vida humana. E é certo que a formação desse conceito não pode ser enquadrado sem uma concepção abrangente do Homem que não pode radicar senão na compreensão da Vida.

Dizem os abortistas que um ser que não tem um sistema nervoso consolidado não pode ser uma vida humana. Esta ideia é do domínio do fantástico, porque coloca num sistema do Ser Humano a essência da sua existência e porque coloca num malfuncionamento do sistema nervoso a possibilidade da eliminação de uma vida. Do sistema nervoso a qualquer outra característica física e biológica vai o pequeno passo que dista entre o consultório dos Médicos Pela Escolha ao do Dr. Mengele.

segunda-feira, outubro 30, 2006

Dos animais

Eu acho que José Sócrates é um animal político. A vida só tem valor se a considerarmos Pessoa. Logo, podemos matar o primeiro-ministro?

O feto tem "menos vida" até às 10 semanas. José Sócrates, quando está a dormir (e não só), tem a capacidade de consciência reduzida. Logo, podemos mata-lo pela calada da noite?

Já há muitas crianças a sofrer no mundo. Eu conheço umas quantas que, em potencia, podem vir a sofrer no futuro (aliás, em potencia são todas). Logo, poderíamos ter morto todos os portugueses desempregados antes de serem postos na rua?

Este Prós e Contras está bonito...

Obviamente (II)

O Dr. Gentil Martins, médico que leu o que jurou, não parece ter grandes dúvidas nisto do aborto:
"Trata-se de matar um Ser Humano!"

Obviamente

Em directo no Prós e Contras da RTP1, o dr. Oliveira da Silva, médico (!), concede, em tratando do embrião:
"Obviamente que é uma Vida Humana, só não é uma pessoa humana."
Será um Alien?

Nos EUA, um em cada três bebés é abortado...

E cá, vamos deixar que se faça o mesmo?

O PRINCÍPIO DO SER HUMANO

(Artigo do Prof. Jerôme Lejeune, in A ALDEIA).

A CÉLULA ORIGINAL E O GRAVADOR
A transmissão da vida é um facto paradoxal.
Por um lado, sabemos com certeza que o laço que une os pais aos filhos é material, já que o novo ser surgirá do encontro de duas células, o óvulo da mãe e o espermatozóide do pai.
Mas, por outro, sabemos com igual certeza que nenhuma das moléculas, nenhum dos átomos que constituem a célula originária tem a menor possibilidade de ser transmitido, tal qual é, à geração seguinte. Torna-se óbvio, portanto, que o que se transmite não é a matéria dos pais, mas uma determinada modificação desta; ou, mais exactamente, uma forma.
Mesmo sem evocarmos o complexo mecanismo das macromoléculas codificadas que são os vectores da herança, este paradoxo desaparece se observarmos que é comum a todos os processos de reprodução, naturais ou inventados.
Uma estátua, por exemplo, requer um substrato material, de bronze, mármore ou barro. Durante a reprodução, existe em cada instante uma contiguidade de matéria entre a estátua e o molde, ou entre o molde e a réplica. O que se reproduz, porém, não é o material, que pode variar segundo a vontade do fundidor, mas exactamente a forma dada à matéria pelo génio do escultor.
A reprodução dos seres vivos é, certamente, muito mais delicada que a de uma forma inanimada, mas segue o mesmo caminho, como no-lo demonstra um exemplo corrente.
Na fita cassette é possível gravar, por meio de minúsculas modificações de imantação, uma série de sinais que correspondem, por exemplo, à execução de uma sinfonia. Essa fita, colocada num aparelho, reproduzirá a sinfonia, embora nem o gravador nem a fita contenham os instrumentos ou mesmo a partitura.
É de uma maneira semelhante que se reproduz o organismo vivo. A fita de gravação é incrivelmente ténue, pois está representada pela molécula de DNA, cuja pequenez confunde a inteligência. Para fazermos uma ideia, se se reunisse num mesmo ponto o conjunto das moléculas de DNA que especificassem todas e cada uma das qualidades físicas dos seis bilhões de homens que existem neste planeta, essa quantidade de matéria caberia facilmente dentro de um dedal.
A célula original do ser humano é semelhante ao gravador com a fita. Mal o mecanismo se põe em funcionamento, a vida humana desenvolve-se de acordo com o seu próprio programa, e se o nosso organismo é efectivamente um aglomerado de matéria animado por uma natureza humana, isso se deve a esta informação primitiva, e somente a ela. O facto de o ser humano dever desenvolver-se no seio do organismo materno durante os seus nove primeiros meses não modifica em nada este facto.
Para a mais estrita análise biológica, o princípio do ser remonta à fecundação, e toda a existência, desde as primeiras divisões celulares até à morte, não é senão a ampliação do tema originário.

A VERDADEIRA HISTÓRIA DO PEQUENO POLEGAR
A primeira célula que se divide activamente, esse primeiro conglomerado celular em incessante organização, a pequena mórula que vai aninhar-se na parede uterina - será já um ser humano diferente da sua mãe?
Sim. Não somente a sua individualidade genética já está estabelecida, como acabamos de ver, mas este minúsculo embrião, no sexto ou sétimo dia da sua vida, com um tamanho de um milímetro e meio apenas, é já capaz de presidir ao seu próprio destino. É ele, e somente ele, quem por uma mensagem química estimula o funcionamento do corpo amarelo do ovário e suspende o ciclo menstrual da sua mãe. Obriga assim a mãe a protegê-lo; faz já dela o que quer, e continuará a fazê-lo daí por diante.
Quinze dias após a suspensão das regras, quer dizer, na idade real de um mês (já que a fecundação não pode ocorrer senão no 15º dia do ciclo), o ser humano mede quatro milímetros e meio. O seu minúsculo coração palpita já há uma semana, e estão esboçados os seus braços, pés, cabeça e cérebro.
Sessenta dias depois, mede, da cabeça às nádegas, uns três centímetros. Caberia, dobrado, numa casca de noz. No interior de um punho fechado seria invisível, e este punho poderia esmagá-lo, num descuido, sem sequer o perceber.
Mas abri a mão, e vereis que está quase terminado: mãos, pés, cabeça, órgãos, tudo está no seu lugar e só tem que desenvolver-se. Olhai mais de perto, e podereis ler-lhe as linhas da mão e dizer-lhe a sina. E mais de perto ainda, com um microscópio comum, podereis decifrar as suas impressões digitais. Ali está tudo o que é necessário para estabelecer a sua carteira de identidade. O sexo parece ainda mal definido, mas olhai muito de perto a glândula genital: evolui já como um testículo, se é um menino, ou como um ovário, se é uma menina.
O incrível Pequeno Polegar, o homem mais pequeno que o polegar, existe realmente; não o da lenda, mas aquele que foi cada um de nós.
Mas após dois meses funciona já o sistema nervoso? Sim. Se lhe roçarmos o lábio superior com um cabelo, o feto mexe os braços, o corpo e a cabeça com um movimento de fuga.
Aos três meses, se lhe tocarmos o lábio superior, volta a cabeça, pestaneja, franze as sobrancelhas, aperta os punhos e os lábios; depois sorri, abre a boca e consola-se com um trago de líquido amniótico. Às vezes, nada vigorosamente na sua bolsa amniótica e revira-se num segundo!
Aos quatro meses, mexe-se com tanta vivacidade que a mãe sente os seus movimentos. Graças à ausência quase total de gravidade na sua cápsula de cosmonauta, dá numerosas voltas, actos que demorará anos a realizar de novo ao ar livre.
Aos cinco meses, agarra fortemente o minúsculo bastonete que se lhe põe na mão e começa a chupar o polegar esperando a libertação. É verdade que a maior parte das crianças nasce aos nove meses. Mas está já perfeitamente desenvolvida aos cinco.
A cada dia a ciência nos descobre um pouco mais acerca desta maravilha da existência oculta, deste mundo formigante de vida dos homens minúsculos, mais encantador ainda que o dos contos de fadas. Pois os contos foram inventados com base nesta história verdadeira, e se as aventuras do Pequeno Polegar encantaram sempre a infância, é porque todas as crianças, e todos os adultos em que elas se converteram, foram um dia um Pequeno Polegar no seio de sua mãe.

QUANDO ESTÁ TERMINADO O HOMEM?
Resta ver a qualidade mais especificamente humana, aquela que distingue o homem de todos os animais, a inteligência. Quando aparece? Aos seis dias, aos seis meses, aos seis anos ou mais tarde?
Responder com uma só palavra não teria sentido algum; mas podemos, sim, distinguir as etapas do órgão da inteligência, que é acessível à observação.
O cérebro está no seu lugar passados dois meses, mas serão necessários os nove meses completos para que se constituam totalmente os seus dez milhões de células. Na criança que nasce, está então acabado o cérebro? Não. As inúmeras conexões que unem cada célula, por milhares de contactos, a todas as outras, não se estabelecerão totalmente senão aos seis ou sete anos de idade - o que corresponde à idade da razão.
E esta complicada teia de circuitos não poderá desenvolver a sua plena potência senão quando o seu mecanismo químico e eléctrico estiver suficientemente rodado, isto é, aos quinze ou dezasseis anos, idade da plenitude da inteligência abstracta. Isto é tão certo que, passada essa idade, os especialistas em psicometria começam a preocupar-se com os estudantes, já que o inevitável envelhecimento começa aos vinte.
E que dizer das inexplicáveis modificações que, em cada dia, o próprio exercício do pensamento necessariamente acarreta? Quantas destas minúsculas rectificações químicas ou anatómicas nesta imensa rede pensante são necessárias para definir finalmente o carácter, a experiência, ou o prémio de consolação que nos outorga o tempo passado? Quanto tempo é necessário para fazer um homem?
Napoleão dizia que são precisos vinte anos. Um filósofo diria: pelo menos uma vida inteira... e depois a eternidade, acrescenta o cristão, unindo-se desta forma ao tempo do biólogo.
Através do longo rodeio de uma paciente observação, o médico volta a descobrir uma verdade evidente que a linguagem comum reconheceu sempre: o homem nunca está terminado.
Terminado o Pequeno Polegar que se faz criança de peito? Terminado o escolar que se faz adulto? E o próprio adulto estará terminado, quando persiste ainda no seu próprio devir? Dizer que um homem está "terminado" não é a condenação mais grave? Quando recebe o golpe de misericórdia, não se diz que o "acabaram"?
Só se pode julgar aquilo que já se realizou, com base nas provas produzidas; e o julgamento conduz à sanção: recompensa ou castigo, conforme o exija a justiça. Mas quem pode arrogar-se o direito de julgar a própria inocência?
Condenar um feto pelo futuro, é deixar de ver que o homem está já aí, e que só lhe falta acordar. No coma profundo ou sob anestesia geral, o acidentado não pensa; está inerte e insensível. Por que motivo, durante esta suspensão de toda a actividade mental, a sua vida é sagrada? Porque esperamos o seu despertar.
Pretender que o sono da existência obscura no seio da mãe não é o sono de um homem é um erro de método. Pois se todos os raciocínios não podem comover, se toda a biologia moderna parece insuficiente, se até se rejeitassem átomos e moléculas, e se mesmo tudo isso não pudesse convencer-nos, um só facto o poderia. Basta que esperemos algum tempo.
Isso que tomais por uma mórula informe dir-vos-á um dia o que era, convertendo-se, como vós mesmos, num homem.
E a experiência é fiel. Nada de parecido aconteceria se tivéssemos predito um acontecimento semelhante a propósito de uma célula de um tumor ou mesmo de um óvulo de chimpanzé. [...]

PELA VIDA NA RTP

O Cão danado concedeu hoje uma entrevista à RTP, que se destina a uma reportagem sobre a intervenção dos blogues na questão do aborto.
Hoje de tarde quando pretendia desejar-lhe boa sorte, fui surpreendido pelo facto de os jornalistas já estarem a efectuar a peça, acabando por responder a meia dúzia de questões via MSN.
Ainda não está prevista a data em que a reportagem vai para o ar, uma vez que é pretensão da RTP ouvir também os apoiantes do sim.
Congratulo-me com esta tomada de posição uma vez que é dada oportunidade de expressar as suas posições a todas as partes. È desse tipo de jornalismo que o país precisa, em cima do acontecimento mas isento.

Governos nada fazem perante diminuição populacional portuguesa

Não há muito tempo o presidente da Associação Portuguesa de Demografia explicou publicamente que a diminuição da população portuguesa terá no futuro "consequências tremendas" e lamentou que nenhum governo tenha tomado medidas para inverter esta tendência.
Segundo o demógrafo, a diminuição populacional não pode ser vista como benéfica e, pelo contrário, as sociedades têm de estar sempre em crescimento. Trata-se, garante, de uma "lógica terrível", em que "perder velocidade" demograficamente implica perdê-la também económica e socialmente.
Recorde-se que projecções do Instituto Nacional de Estatística (INE) indicam que em 2015 haverá menos um milhão de portugueses (cerca de nove milhões), e que em 2050 a população descerá para os 7,5 milhões.
Ainda de acordo com o presidente da APD, "o Estado tem de promover medidas que incentivem os casais a terem mais filhos", "mas não vejo ninguém, não vejo nenhum governo preocupado com isso".
Conclusões dos demógrafos? Assim apenas se vê a imigração como solução.
Será essa a "única alternativa" que temos diante de nós?

Maternidade e Vida

Ao programa ideológico dos militantes abortistas é preciso responder com a promoção a todos os níveis dos valores da Família, da Maternidade e da Vida.
Pouco importam os partidos, os governos, as conveniências da agenda política - é preciso lutar de forma persistente e continuada pela valoração daquelas realidades que só por si se contrapõem às propostas dessa cultura de morte. A defesa de uma visão integral do homem e da sociedade e a sua implantação no corpo social é uma batalha crucial para o futuro da civilização.
Esse combate deve ser travado através das organizações nascidas na sociedade civil para no seio desta encontrarem as verdadeiras respostas para os verdadeiros problemas.
O meu bem haja a quantos, sem olhar a comodismos, nesta época de facilitismos e abdicações, mantêm acesa a chama e mobilizam as vontades, sem ceder às ideias feitas e às cumplicidades instaladas.
Numa sociedade em que se banalizar essa possibilidade de selecção prévia de quem pode ou não nascer, como é inegavelmente o caso do aborto livre (apresentado já como um verdadeiro direito incluído na esfera jurídica de qualquer grávida!...), a curto prazo se instalará a possibilidade de seleccionar quem pode ou não viver, em todas as situações problemáticas da existência humana, com base apenas nos consensos que se gerarem em cada momento na comunidade (Os criminosos? Os deficientes? Os idosos? Os doentes incuráveis? Os doentes mais caros? Os que não tiverem família?).
Problemático será apenas definir a quem pertencerá o direito a decidir em cada um dos casos; creio que se gerará polémica entre uma visão mais liberal (o direito caberá ao cidadão a quem aquela vida pesa) ou uma concepção mais socialista (a decisão pertencerá ao Estado, provavelmente aos tribunais).
O que é certo é que a tutela da vida humana enquanto tal, como um direito do próprio, oponível aos demais, terá desaparecido do nosso sistema normativo.

CHEGUEI

Sempre me defini como um defensor da Vida. Por isso, aceitei de bom grado o convite de Pedro Guedes para ingressar neste projecto. Como tal, de agora em diante, serei mais uma voz entre tantas a clamar Pela Vida.

O meu contributo, consistirá em colocar o Direito à Vida no lugar que lhe é devido, ou seja, como primeiro e frontal direito, condição de todos os outros direitos da pessoa humana.

Sou o mais recente membro do grupo, mas espero que atrás de mim venham muitos mais. Pois é urgente despertar as consciências para o humanismo e fazer uma ruptura com o materialismo totalitário, que vê o Homem como um ser desprovido de alma.

[Demokrata]

O sofisma de um referendo

(um artigo do General Ricardo Durão, publicado no “Expresso” do passado sábado).

Estamos à beira de nos ter que pronunciar face a um referendo que nos pergunta: “Concorda com a despenalização da interrupção voluntária da gravidez, se realizada, por opção da mulher, nas primeiras dez semanas, em estabelecimento de saúde legalmente autorizado?”
O que estamos nós a opinar? Acerca da despenalização? Acerca da liberalização?
Se vier a verificar-se uma vitória do "sim", as mulheres que efectuarem a interrupção voluntária da gravidez, até às dez semanas, não serão mais penalizadas? Só isso?
É óbvio que não! A consequência real é que fica legalizada a liberalização da interrupção voluntária da gravidez até às dez semanas. Aliás, é isto precisamente o que pretendem os proponentes desta forma de perguntar, embora não tenham o mínimo de coragem em o afirmar. Revelam até um notório ar comprometido e grande incómodo quando se fala em liberalização e se espraiam, com as explicações mais esfarrapadas, para justificar que a questão é apenas a despenalização. Havendo actualmente uma lei que permite a interrupção voluntária da gravidez em determinadas condições, parece que se aguarda que o Referendo origine uma eclosão do mercado, visto que já se perfilam clínicas estrangeiras para se fixarem em Portugal.
Sempre estranhei que esta questão nunca fosse consequentemente debatida, nem sequer aflorada. Só o foi recentemente na Assembleia da República, ainda bem. Ficámos a saber que uma maioria parlamentar, por sinal defensora do "sim", persistiu em manter o sofisma existente na forma da pergunta a referendar.
A situação é bem clara. Muito recentemente, o próprio primeiro-ministro, em discurso público, ao referir-se à questão do aborto, referiu textualmente que " ... irá ser liberalizado ... " .
Nesta questão é indispensável haver clareza, transparência e objectividade.
Quem persiste nesta forma a ser referendada, usa um embuste e uma armadilha. Além de mais, a despenalização do aborto não necessita de referendo, trata-se de uma solução jurídica a ser tratada por peritos de direito.
Porque têm medo de uma pergunta clara e transparente, como:
"Concorda com a interrupção voluntária da gravidez, se realizada, por opção da mulher, nas primeiras dez semanas, em estabelecimento de saúde legalmente autorizada?”
Utilizei a expressão "interrupção voluntária da gravidez", para ser "politicamente correcto", porque significa precisamente "aborto voluntário", mas até deste termo a maioria parlamentar tem medo. Parece que em sede parlamentar se manteve a hipocrisia, a manipulação, o ardil e até uma certa cobardia por se esconderem por trás de uma compaixão pela penalização.
Resta-me a esperança que em sede presidencial e/ou constitucional, libertas da iníqua intencionalidade acima referida, se apercebam do embuste e sofisma e seja imposta uma forma bem clara e transparente.
Em concreto o que se irá decidir é se é liberalizado "o aborto voluntário, até às dez semanas”. É sobre isto que irei votar. Não deixarei que me ludibriem, mas o mesmo não se passará com grande quantidade de ingénuos úteis.

Primeiro as 10 semanas, depois...

Preconceito n.º 7 - A legalização do aborto elimina os negócios fraudulentos do aborto, por Mário de Sá Peliteiro:
Uma reportagem - Turismo do aborto - emitida pela cadeia de televisão pública Dinamarquesa DR e gravado com câmara oculta revelou que na clínica EMECE de Barcelona, presumivelmenete, se realizam abortos ilegais a mulheres grávidas de até mais de 7 meses provenientes de toda a Europa.
O aborto é feito injectando digoxina no coração do feto.

Sobre touros de morte

Tenho constatado que os opositores mais extremos das corridas de touros são também os mais radicais defensores do aborto a simples pedido. Ora, por mim que nunca apreciei corridas de touros e sempre repudiei a prática do aborto, reputo de contraditória e paradoxal a postura daqueles que sustentam que não deve ser ministrado sofrimento a um animal por motivos de pura diversão humana, mas que não hesitam em propugnar a morte particularmente cruel de um ser humano inocente e indefeso no próprio ventre materno, sendo certo que a dignidade deste último - ser futuramente dotado de inteligência criativa e consciência moral - é incomparavelmente superior à daquele primeiro animal - que não tem, nunca teve e jamais terá tais características.

De resto, um dos argumentos mais usados e abusados para apoiar a liberalização do aborto a simples pedido em Portugal, com as devidas adaptações, poderia servir para permitir a instauração das corridas de touros de morte no nosso País.

Argúem os aborcionistas que a lei actualmente vigente em Portugal é discriminatória para as mulheres pobres que desejam abortar, já que as restantes mulheres mais dotadas de recursos materiais e com idênticas pretensões abortivas sempre o podem fazer devidamente salvaguardadas, para esse efeito atravessando a fronteira e pagando a realização de um aborto em qualquer uma das clínicas dedicadas a tal actividade em Espanha.

Ora, é possível sustentar que também a lei que proíbe as corridas de touros de morte é discriminatória para com os aficionados mais pobres, desprovidos que são dos meios que lhes permitam deslocar-se ao país vizinho, onde poderiam assistir a corridas de touros de morte sem quaisquer sobressaltos, ao invés do que acontece com os aficionados mais abonados. Por que hão-de os pobres ficar cingidos a largadas de touros clandestinas, sempre acossados pelas autoridades policiais, e para mais sujeitos a serem processados judicialmente e punidos na melhor das hipóteses com pesadas coimas, quando nada disso sucede com os ricos. Não faz sentido!

Dir-me-ão os opositores das corridas de touros que a erradicação, ao menos das chamadas sortes espanholas da chamada "festa brava", constitui uma marca de enorme evolução civilizacional que Portugal não deve desperdiçar face a Espanha. Por maioria de razão, replico eu que a protecção que o ordenamento jurídico português concede à vida humana intra-uterina constitui igualmente uma marca de enorme evolução civilizacional que Portugal não deve desperdiçar face a Espanha, e como tal o aborto a simples pedido deve continuar - e bem! - a ser previsto e punido como crime na nossa legislação!

Moral de toda esta história: o que releva para a questão do aborto a simples pedido é que este causa a morte a um ser humano inocente e indefeso. A condição social das mulheres que abortam não altera esta factualidade. Pelo facto de as mulheres mais ricas eventualmente abortarem com impunidade, tal circunstância não torna a prática do aborto menos ignóbil. A igualdade de direitos jamais pode ser interpretada como uma igualdade de oportunidades para destruir a vida humana inocente.

JSarto

O doutor da mula ruça

Da última vez que fui cortar o cabelo, e enquanto esperava pela minha vez de ser atendido na barbearia que costumo frequentar, reparei que a conversa entre o barbeiro e a criatura a quem ele tratava da pilosidade da parte superior do crâneo entrou na análise da questão do aborto.

Dizia a dita criatura, um desses doutores da mula ruça, campeões da asneira, que com frequência apanhamos neste tipo de estabelecimentos: "Qual é o problema do aborto? Ninguém é obrigado a abortar! Só aborta quem quer!"

Mais sensato, o fígaro retorquia: "Sim, sim. Mas parece-me que primeiro deveríamos explicar às pessoas o que é isso do aborto, consciencializá-las dessa realidade tal qual ela é. Depois, se ainda quiserem abortar…".

Não tendo por hábito participar em discussões de barbearia (ou café) desliguei e já não ouvi mais nada. Mas fiquei a pensar:

Qual é o problema do homicídio? Ninguém é obrigado a matar! Só mata quem quer!

Qual é o problema da violação de mulheres ou de menores? Ninguém é obrigado a violar! Só viola quem quer!

Qual é o problema do roubo? Ninguém é obrigado a roubar! Só rouba quem quer!

Qual é o problema da exploração de trabalhadores? Ninguém é obrigado a explorar! Só explora quem quer!

Qual é o problema da escravatura sexual! Ninguém é obrigado a escravizar! Só escraviza quem quer!

E finalmente, por último mas não menos importante, qual é o problema de dar uma traulitada a um doutor da mula ruça que perora numa barbearia sobre aquilo que não compreende? Ninguém é obrigado a dar! Só dá quem quer!

JSarto

domingo, outubro 29, 2006

A "agenda social"

Desde que a revolução socialista passou a fazer parte do museu da história, as energias daqueles que conscientemente têm como objectivo o desfazer das sociedades humanas organizadas segundo os modelos tradicionais que lhes conhecemos concentraram-se nas tarefas de desestruturação elencadas na chamada "agenda social". É uma tarefa em primeiro lugar metapolítica, inspirada nos teóricos que resolveram inverter as prioridades de Marx explicando que nas nossas sociedades frequentemente é a superestrutura a mandar, e daí o fracasso das tentativas de conquista e controle do poder por parte do comunismo de modelo clássico. Logo, depreendem eles, é preciso trabalhar na superestrutura, dominar o terreno da cultura, dos valores, das concepções sociais, das representações ideológicas sobre a vida, a família, as instituições, etc.
O velho Marx com a sua insistência na infraestrutura, concentrando a sua análise nas relações sociais e na luta de classes, não teria fornecido uma receita suficientemente eficaz para a conquista e manutenção do poder. De facto, segundo esses teóricos, mantendo-se a superestrutura todos os avanços conseguidos na luta política estarão sempre em perigo, porque a superestrutura resistirá e voltará a segregar as mesmas formas sociais que se pretendem abolidas.
Daqui o afluir regular para o campo da luta política dos temas relacionados com a tal "agenda social", que não são mais do que a expressão desse trabalho de destruição lenta dos alicerces das sociedades em que se desenvolve o confronto.
Realço a este propósito o salto recente para o centro da actualidade em França das questões relativas ao casamento de homossexuais e ao direito à adopção por parte de tais parelhas, e ao mesmo tempo o surgir de nova campanha em Espanha mais ou menos nos mesmos termos quanto à ampliação das práticas abortivas. Evidentemente que os "temas fracturantes" surgiram de novo na ofensiva em aproveitamento da maré das vitórias eleitorais socialistas; mas é significativo como eles estão aí, em confirmação de que não há acasos nestas coisas de agenda política.
Entretanto, em Portugal, aproveitou-se a revisão constitucional (art. 13º) para se abrir a porta a futuras batalhas sobre a "não discriminação em razão da orientação sexual" (leia-se: da desorientação sexual).
Quem não vir a relação estreita entre os tais temas, aceitação generalizada de abortos, eugenismos, eutanásia, direitos dos homossexuais, fim da tutela jurídica da família tradicional, legalização de estupefacientes e psicotrópicos, não pode entender o sentido convergente que tudo isto tem.
Aos outros, aos que percebem, eu aconselharia que fizessem o mesmo que os tais teóricos da subversão recomendam: organizem-se, cavem trincheiras, reforcem defesas, institucionalizem a luta positiva pelos valores em que acreditam, não cedam nunca à ilusão de uma vitória momentânea. Todos os núcleos de resistência são essenciais aos combates que hão-de vir.

Agenda - Viseu II

Conforme informação da Associação de Defesa e Apoio à Vida de Viseu, a conferencia a realizar no dia 24 de Novembro de 2006, pelo dr. António Maria Pinheiro Torres com o tema "Aborto: falar claro!", será realizada no Auditório Eng.º Engrácia Carrilho, UCP – Viseu e não no local que havíamos anunciado.

Curioso

Aborto: Bloco apela a «mobilização nacional»


O coordenador da Comissão Política do Bloco de Esquerda, Francisco Louçã, considerou este domingo que a posição a favor da despenalização do aborto no próximo referendo corresponde ao «voto da consciência», apelando ainda à «mobilização popular», noticia a agência Lusa.

Comentando uma entrevista de D. José Policarpo ao DN e TSF, o deputado bloquista considerou que os argumentos invocados pelo cardeal de Lisboa - consid erou o aborto uma questão de consciência - são mais adequados a quem responder «sim» no referendo à interrupção voluntária da gravidez.

O voto é «um problema entre nós e a nossa consciência», disse o líder do Bloco durante um comício em Torres Novas com uma centena de apoiantes, onde apelou ao «sim» no referendo.

«A minha consciência não pode determinar a espada da lei contra a consciência de outros», defendeu Francisco Louçã, sublinhando que o «voto sim é o voto da consciência».

«A política não é religiosa», afirmou Francisco Louçã, considerando que o voto no referendo não pode estar condicionado a dogmas de fé mas somente à condenação da «dor dos julgamentos» das mulheres suspeitas de aborto.

Francisco Louçã considerou «esperada» a posição da Igreja nesta matéria , concordando mesmo com D. José Policarpo quando diz que «o que está em causa não é liberalização do aborto», mas sim a sua condenação penal.

«Portugal é hoje um palco de um grande combate da civilização e da democracia» já que a actual lei permite «mulheres perseguidas e humilhadas» nos tribunais por praticarem o aborto, considerou o líder bloquista.


Enfim, ja me tinha deixado de criticar este partido, nao porque acho incorrecto (pois estamos numa democracia) mas apenas porque me cansei, porque de cada vez que olhava para uma ou outra ideia deste partido dava-me vontade de esboçar um sorriso ironico e de abanar constantemente a cabeça ate me esquecer daquilo que via ou ouvia...
É curioso como estes senhores falam em perseguiçao e humilhaçao de mulheres, tendo em conta que elas simplesmente ACABARAM COM A VIDA de um feto, de um ser em construção...é curioso como defendem as classes mais pobres e muitas das vezes aqueles que nao deviam ser defendidos e que nao fazem nada da vida!No entanto, é ainda mais curioso como é que num mar de ideologias tao "bondosas" e tao "amigas do proximo" se esquece a perspectiva de um ser que nao tem defesa e que e abusado inocentemente...

1.ª Semana de Vida

— 25 autores de blogues aqui unidos (entre os quais se contam os mais antigos e ilustres da blogosfera nacional; e, alguns ainda estão para chegar).
— 100 postais publicados (com o ritmo a aumentar).
— 2000 visitas (e sempre a crescer).
— 10 outros blogues Pela Vida nascidos entretanto (todos os dias aparece mais um).

Quem é que disse que não valia a pena?...

Sabia que...

As primeiras feministas - como Susan Anthony, Elizabeth Cady Stanton e Mary Wollstonecraft - eram contra o aborto e lhe chamavam instrumento de opressão patriarcal?

(Via Sou a Favor da Vida; mais informação em Feminists for Life)

Não, obrigada!

Pró-Vida, Pró-Escolha, Sem-Escolha

A ideologia abortista

A quem observe com atenção, para além das cortinas de fumo e das proclamações retóricas, não é possível deixar de concluir que a questão do aborto traduz um programa ideológico.
As verdadeiras convicções dos defensores de tal programa tornam-se evidentes nas pequenas frases que escapam, mais do que nos discursos preparados.
Já contei aqui como me chocou ver um dia na televisão uma senhora, com certa notoriedade como escritora, explicar que a mulher só poderia dizer-se realmente livre quando o acto de abortar fosse encarado com tanta naturalidade como tratar uma borbulha. E também já referi o episódio, passado na minha presença, em que um conhecido escultor no calor de um debate tentou ironizar com o tema da "defesa da vida" observando divertido "mas o que é a vida? Tudo são formas de vida... uma alface, por exemplo, e todos comemos salada". Ao escultor que via no problema a mesma relevância de comer hortaliças e à escritora que lhe dava a mesma importância que às suas borbulhas pode acrescentar-se a senhora da "Women on Waves" que na excitação da conversa ao telefone com a interlocutora polaca que lhe pedia explicações respondia interrogando o que é que o aborto tinha assim de tão especial, era como cortar as unhas...
Nestes desabafos está a verdade da polémica. Não adianta esse jogo de enganos de estar a discutir se o limite será às dez semanas ou às quinze semanas. Para os militantes de tal programa o acto em si não contém qualquer desvalor, deve ser apenas uma expressão da vontade. A sua legitimidade às 8 semanas é igual à que será às 12 ou às 20. Na realidade, nenhum aborto deve ser considerado ilegítimo, ou ilícito, ou censurável - ninguém tem nada com isso desde que resulte da vontade da mulher portadora do feto.
Neste quadro, evidentemente que é ilusório pensar, como é tentação dos viciados mentalmente no jogo da política, que é possível encontrar uma "solução negociada" e acabar com polémica tão incómoda. Se a lei disser que é lícito até às 10 semanas as organizações abortistas reclamarão que diga 12 semanas. Se passar a dizer 12 semanas os mesmos cartazes e panfletos dirão que deve ser livre até às 15 semanas. E se o legislador conceder, a luta passará a ter como referência as 20 semanas. Em nenhum país do mundo, seja qual for o sentido e o estado actual da sua legislação, a reivindicação parou. Na realidade o que se passa é que no sentir dos combatentes desse programa ideológico nenhum limite pode ser colocado a esse acto, tão irrelevante do ponto de vista ético como cortar as unhas, tratar uma borbulha ou comer uma folha de alface.

sábado, outubro 28, 2006

O aborto e as marés ideológicas

Atendendo aos objectivos deste blogue, justifica-se a transcrição de palavras alheias que nos pareçam expressar a posição justa. Por esse motivo, tomo a liberdade de publicar um texto recente do Professor João César das Neves, cujo conteúdo honra manifestamente este lugar.

Cresce a possibilidade de termos um novo referendo sobre a liberalização do aborto. A discussão no Parlamento está agendada e os jornais há muito ateiam o tema. Tudo indica que o poder político nos vai perguntar se mudámos de opinião desde 1998.
O aspecto mais chocante desta reedição é, sem dúvida, o momento escolhido. Hoje, ao contrário de há oito anos, o País vive uma crise grave, com estagnação económica, alto desemprego, fortes carências e contestações em múltiplos sectores. Iniciar nestas condições um debate sobre uma questão tão controversa e dolorosa parece loucura total.
Não é certamente por sérias razões políticas, sociais e de interesse nacional que o referendo vai ser marcado. Se tivesse sido imposto de fora, diríamos tratar-se de sabotagem inspirada por potências inimigas. Que o próprio Governo da República lance o processo é inacreditável.
Uma irresponsabilidade tão flagrante denuncia a presença do único elemento que pode determinar tal cegueira, o preconceito ideológico. Isso aliás é evidente nos argumentos apresentados. Os dois lados em debate esgrimem as suas razões, mas só um deles invoca o testemunho do progresso. Segundo os proponentes, uma das principais razões para mudarmos a nossa lei é a sua desactualização. Ouve-se com frequência dizer que esta nossa legislação é obsoleta, ultrapassada, a "mais atrasada da Europa". Abortar à vontade parece ser moderno.
É difícil imaginar como é que o tempo entra numa questão tão básica e perene como esta. O aborto, como o terrorismo ou o crime, não melhora com o desenvolvimento, flutua com a moralidade. Mas as marés ideológicas nunca seguem a lógica.
Há 30 anos, os defensores da economia colectivizada e planificada também se consideravam progressistas e avançados. Propor a ditadura do proletariado era então actual e dinâmico, enquanto a liberdade de mercado se mostrava antiquada e conservadora. Essa maré passou, e sabemos agora que a antevisão era não só um pedantismo intelectual insuportável mas um criminoso atentado contra a civilização e o bom senso. Os países que caíram na armadilha foram arrastados para desastres económicos de que só dificilmente ainda recuperam, enquanto as gerações seduzidas por tais ideologias se perderam debaixo dos escombros da sua tolice.
A maré mudou e agora o mesmo tipo de raciocínio passou dos inimigos da liberdade económica para os que atacam a família e a vida (que aliás são, em geral, os mesmos). Com uma diferença fundamental. De facto, o sistema colectivista tinha à partida hipóteses teóricas de funcionar. As dificuldades de implantação revelaram-se insustentáveis, mas ao nível da concepção está demonstrada a equivalência potencial de resultados entre economia dirigida e descentralização mercantil. Pelo seu lado, a liberalização do aborto não tem nenhuma hipótese de futuro. Na dinâmica das civilizações, a dissolução doméstica, promiscuidade sexual e obsessão venérea são sempre sinais de decadência, não de desenvolvimento. Aliás, a Europa vive já uma grave crise de valores e uma catástrofe demográfica, que lhe serão fatais na dinâmica global dos blocos. Precisamente porque a sua cegueira ideológica é avassaladora.
Um sinal disso vê-se nos jornais que, como sempre, são escravos das modas intelectuais. Aliás, uma das poucas vantagens do período de referendo é que os meios de comunicação social serão obrigados a abandonar a descarada defesa do aborto, para fingirem uma imparcialidade forçada. Esse foi um dos factores que permitiu há oito anos que, silenciada a "opinião pública oficial", se manifestasse a verdadeira atitude dos portugueses.
A maré vai mudar. Entretanto a alteração da lei tem um aliado perigoso: o comodismo burguês. Não faltam os que dizem coisas como: "Eles não nos largam com isto, o melhor é deixá-los mudar a lei para ver se se calam." Além de cobarde e cínico, trata-se de um erro clamoroso. Porque "eles" não se vão calar, tal como os revolucionários da geração anterior só pararam diante da catástrofe económica. Reforçados com uma evental vitória que a cobardia lhes concedesse, iriam promover outras mudanças, menos sangrentas mas mais depravadas.
Portugal em 1998 conseguiu conter a principal maré ideológica do nosso tempo. Se o aborto tivesse sido liberalizado, sofreríamos agora a confusão de temas que países próximos, com leis mais "avançadas", sofrem. E viveríamos os terríveis estragos humanos que por lá se vivem.

Mulheres em acção

Na intimidade deste blogue confesso aos meus leitores, e especialmente às minhas leitoras, esperando que não levem a mal, um segredo que normalmente guardo só para mim: não gosto nada de ouvir falar em igualdade homem-mulher, e figuras de estilo associadas. Sou reaccionário demais para me habituar a tal igualitarismo – e incomoda-me a conversa, que sempre me pareceu de péssimo gosto. Geralmente fico a acariciar a barba, e a pensar como hei-de agradecer todos os dias ao Criador ter-nos feito assim diferentes.
Não é que não goste das mulheres – pelo contrário, é por gostar demasiado. Gosto tanto que nunca entendi em que pode uma mulher sair dignificada por ser considerada igual a mim. E, admito, também tenho certo apreço pelas minhas diferenças – do que resulta não encontrar graça nenhuma em que me digam igual a esta ou aquela.
Neste ponto, aliás, acrescento que também me causa incómodo falarem-me que todos os homens são iguais. Sei de alguns com que não me atrevo a comparar-me. E também conheço outros com que não admito comparação alguma.Vem isto a propósito do elogio que quero fazer ao site da Associação "Mulheres em Acção", e às boas vindas que lhes quero endereçar daqui. O mundo precisa de acção, não de conformismo e ideias feitas no "prêt-a-porter" do tempo – e sempre que os homens falham são as mulheres que dão lições.
Mulheres, mas que cultivem a santa virtude da insolência, como falava Robert Brasillach a propósito de Joana d'Arc, exaltando a "magnífica virtude da insolência": "não há virtude de que mais precisemos hoje. É um bem precioso que devemos não deixar perder: o falso respeito das venerações falsas é o pior dos males". "(...) é bom arriscar a vida na insolência, quando não amamos senão as verdadeiras grandezas".
Senhoras: marquem as diferenças!

MAIS OUTRO

VENHAM MAIS CINCO

Mais um

VIVER A SUA VIDA

ABORTO CLANDESTINO

O aborto clandestino é de facto um problema que tem de ser solucionado.
Mas a presente lei a ser aprovada não vai acabar com esse flagelo. Continuarão a existir pessoas a recorrer ás clínicas clandestina tenho a certeza disso.
Será que alguma vez, foram dadas ordens, a uma qualquer força policial deste país para investigar, os locais destinados à prática de abortos? Certamente não; pois se o tivessem feito facilmente teriam fechado todos esses antros de incitamento e prática de crimes.
Uma vez tentei fazer uma denúncia de uma clínica dessas de vão de escada, puseram-me mil e um entraves. Mais tarde vim a saber que muitos agentes daquela unidade eram bons clientes da clínica.
Agora pergunta para os defensores do sim. Algum dia fez o mesmo? Os partidos pelo sim com grandes maquinas partidárias, algum dia se deram ao trabalho de investigar e denunciar as clínicas? Provavelmente até alguns dirigentes eram também clientes habituais da casa. Provavelmente alguns partidos vão receber alguns donativos, pela a ajuda que estão a dar às grandes clínicas, que estão de olhos postos em Portugal, qual abutre à espera da presa.

Vamos contrariar...

Aborto: «abstenção vai ser fatal outra vez»

O cardeal patriarca de Lisboa considera, numa entrevista publicada esta quarta-feira no Diário de Notícias, que a abstenção «vai ser fatal outra vez» no referendo ao aborto devido à dificuldade de muitas pessoas em abordar esta questão.

«Os nossos estudos mostram que a maior parte dos cidadãos sente-se mal a ter de se pronunciar sobre esta questão», afirma D. José Policarpo na entrevista, que ocupa duas páginas do jornal.

Questionado pelo jornal sobre se a Igreja Católica vai fazer campanha, D. José Policarpo afirma que a «questão é fundamentalmente de consciência». «As campanhas têm uma marca partidária e servem para convencer os votantes para a justeza da escolha de um projecto político. Esta é uma questão transversal», salientou.

O cardeal adianta que, apesar de haver pessoas que têm já uma «posição completamente tomada», ainda há «uma camada da população para quem a questão é dolorosa, incómoda».

«Se a campanha for motivada no sentido de um debate esclarecedor das consciências, não teria dúvida nenhuma em dizer que entro na campanha. Se a campanha se assemelha à anterior, a uma campanha partidária, penso que aí não é o meu lugar», afirmou, desabafando: «gostaria que as pessoas não perdessem a calma».


É precisamente a esta camada populacional que a nossa campanha tem de chegar. A nossa campanha tem de chegar aqueles que ainda se intimidam a debater temas como o aborto e que ainda nao tem uma opiniao formada acerca deste tema. É necessario que façamos ver a estas pessoas os problemas e e a crueldade que envolve o aborto. Acredito vivamente que vamos conseguir mais uma vez contrariar a vontade dos senhores da assembleia da republica...

NAO A DESPENALIZAÇAO DA INTERRUPÇAO VOLUNTARIA DA GRAVIDEZ

Paradoxos

A comunicação social francesa dos últimos dias tem dedicado grande atenção a um caso chocante de triplo infanticídio. Uma mulher de 38 anos e o respectivo marido foram presos em França depois de terem sido encontrados no congelador da sua residência na Coreia os cadáveres de duas crianças recém-nascidas. Feitas as primeiras diligências de investigação verificou-se que efectivamente os bébés eram filhos do casal, desfazendo a defesa deles que alegavam terem os corpos sido colocados nesse local durante a sua ausência em França.
Na sequência disso e dos interrogatórios efectuados a mulher veio a confessar que eram realmente seus filhos, e que os tinha estrangulado após o nascimento, em 2001 e 2003, tendo-os arrecadado no referido congelador. Acrescentou ainda que já anteriormente, em 1999, em França, tinha sido mãe de outra criança a que também tinha tirado a vida, neste caso tendo queimado o corpo. De acordo com as suas declarações terá feito tudo sozinha, sem que o marido tenha qualquer conhecimento dos factos, desde a gravidez ao parto e aos subsequentes infanticídios, o que parece difícil de acreditar.
A imprensa a que tive acesso exprime abundantemente o horror do caso, invulgarmente macabro e sinistro. Dá-se como certo que a detida vai apanhar prisão perpétua, lastima-se a falta da pena de morte, e especula-se sobre o que acontecerá ao marido, também detido mas por enquanto apenas indiciado por cumplicidade.
Eu compreendo o horror e a indignação perante factos que indubitavelmente ferem qualquer sensibilidade normal.
Mas não me é possível deixar de pensar: fosse ela mais célere e despachada... fosse ela mais decidida... para que os deixou nascer, para que esperou emboscada, assassinando-os depois? Podia ter tratado disso um pouco antes. Tivesse ela trucidado os mesmos três bébés uns tempos antes do instante mágico do nascimento, e atirado os restos desfeitos para o cano ou para o lixo, e as vozes que hoje se erguem indignadas contra ela estariam a levantar-se em coro contra a injustiça da perseguição a uma mulher que legitimamente exerceu os seus direitos sobre o seu corpo. Teria só compreensão e apoio onde agora encontra feroz condenação. Tendo em conta o que se ouve frequentemente por aí, o que se pode concluir do caso é que ela atrasou-se. Pode esse retardamento na execução justificar tamanha diferença de tratamento?

O Aborto Clandestino

Uma professora minha disse que iria votar sim, porque não queria que as mulheres continuassem a fazer os chamados "abortos de vão de escada". No entanto as estatisticas demonstram que os abortos clandestinos existem em grande número nos paises onde está legalizado. Até é complicado de preceber, mas porquê?
Vejamos dois dos aspetos principais: Em primeiro lugar existe o caso dos prazos. Uma mulher que aborte até às 10 semanas não será muito diferente de abortar às 13 ou 14 semanas. Ora, a partir do momento em que passa as 10 semanas existe um potencial ingresso nas clinicas paralelas. Quem fala nos prazos, pode falar nas limitações legais que existem, como por exemplo a autorização dos pais, quando à gravida é menor ou o parecer de um médico especialista ou de alguma entidade de assitencia social.
Subsequentemente continuará a existir uma grande coacção social face à prática de um aborto, daí que muitas mulheres receiem ser vistas em clinicas de abortos. E também continuarão a existir a viagens a Espanha, caso se confirme a maior restrição na nossa lei.
Por outro lado, o ministério da saúde já prepara protocolos com clinicas privadas para a prática de abortos pagos pelo endividado Sistema Nacional de Saúde (SNS) e consequentemente por todos nós, quando desde junho que se deixaram de pagar os abastecimentos de pílulas anticoncepcionais, pílulas "do dia seguinte" e os preservativos são vendidos a preço de mercado. Num ministério que não faz parcerias para operar as cataratas (muitos já cegaram por causa das listas de espera..) por exemplo. E depois as listas de espera iriam engrossar pois os abortos são intrevenções urgentes devido à questão dos prazos.
Para finalizar, desde o inicio do ano que a tal professora mandava os tais bitaites e quando finalmente lhe respondi á letra nunca mas falou disso, e já lá vão duas aulas. Qualquer momento é um bom momento de combate.
Bem hajam companheiros de luta!

Convite

Convidam-se todos os defensores da liberalização total do aborto a pedido a apresentar um país - um só que seja...! - onde a despenalização tenha acabado com o aborto clandestino. Vá lá, só peço um, nada que se possa considerar em excesso...
Se, ao invés, não só não apresentarem nenhum como prosseguirem com os habituais insultos nas caixinhas de comentários... está tudo dito e respondido. Mas nesse caso, não me parece que subsista legitimidade para continuarem a invocar em vão o argumento do aborto clandestino em seu favor.

Curioso...


... que aqueles que condenam a pena de morte sejam parcialmente os mesmos que apoiam o assassinato de seres vivos esses sim inocentes, e como se não bastasse, completamente indefesos.


Acerca dos julgamentos de quem aborta, as mulheres enfermeiras (que de senhoras têm pouco - pelo menos a minha imagem de uma senhora é algo maternal) que praticam os abortos clandestinos não passam de hediondas assassinas, tal como as pessoas que gerem as clinicas! Essas mesmas clínicas dedicadas ao lucro pelo aborto clandestino deviam ser arduamente perseguidas! É de todo justo que batam com o costelo na choldra, e não durante pouco tempo!

Expliquem-me então, vossas excelências que defendem o aborto com todos os dentes com que repetem as mais que badaladas palavras "direitos da mulher" para justificar o injustificável, como é que distinguem um recém-nascido de um pré-natal? Ambos estão em formação e ambos não sobrevivem se não lhes for fornecido o necessário apoio médico. Pode-se fazer esta comparação com todas as semanas do feto que quiserem (o que é que diferencia as 10 semanas das 11, as 11 das 12 e por aí fora até chegar ao exemplo dado).

Será que vocês são assim tão infelizes nessas vossas vidinhas, e têm tanta falta de sentimento de luta e de sobrevivência que afirmam categoricamente que se Portugal fosse um país de ideias modernas no tempo em que foram paridos, a vossa mãezinha podia perfeitamente ter abortado porque lhe era pouco conveniente?

Bout de Viande

sexta-feira, outubro 27, 2006

I want to live


Não sei se a música irá agradar, mas arrisco: aqui fica um video que contrapõe abortion/adoption.

Federação Pela Vida

Sabem os meus amigos que partilho a preocupação de Murilo Mendes quando dirigia a Deus o seu pedido "em termos exatos" - "que os maus sejam bons/ e os bons não sejam chatos".
Mas prefiro o risco de chatear pela insistência ao de pecar pela indiferença. Porque a luta constante por uma cultura de vida me parece hoje empresa de salvação das sociedades contemporâneas, recomendo mais uma associação, a Associação Portuguesa de Maternidade e Vida, e ainda outra, a Associação Portuguesa de Famílias Numerosas .
Repito a síntese de serviço: "Busquemos encarnar os interesses dos grupos sociais ameaçados ou incompreendidos; desenvolvamos ou criemos a solidariedade com o que existe; não sejamos mais apenas doutrinadores - porque a doutrina aborrece - nem nostálgicos - porque a nostalgia entorpece - mas procuremos lançar a âncora o mais possível na vida real, na vida local, na vida profissional, na vida sindical, para tecer desde já elos múltiplos e eficazes, pelos quais nos possamos tornar um dia a representação real de uma vaga de opinião pública".

Revista de imprensa

Estória de Futuro (?)

A Maria vivia mal, talvez no mal. A pobreza extravasava na penitência diária de contar os trocos. Eram os transportes para o trabalho precário que lhe levavam mais moedas. Só depois se lembrava de matar a fome. A lista de prioridades era a que se podia arranjar.
Habitava um "bairro problemático". A avó, velha das rugas fundas que lhe delineavam o rosto, fazia da existência uma cama do 1º esquerdo, num quarto húmido e desprovido de algo mais que o essencial. Escapava a decana da casa considerar, já que à filha não o soube ensinar, que a Cruz pertencia ao rol das coisas imprescindíveis. Encimava o leito, dominando o espaço.
Do pouco que alegrava a Maria tudo se resumia aos encontros escondidos. Eram segredo de adolescência, fundido na pueril experiência do companheiro da aventura. Uma escapada nocturna que aproveitava o estado imóvel da avó. Juntavam os corpos no vão da escada - os vizinhos não tinham mais para onde ir - clamando à sorte não haver consequência de maior.

Passaram dois anos e tudo se mantinha. A excepção vinha da boca do médico: "está grávida". A Maria recordou todos os receios que a afligiam naquelas noites com o Zé mas não encontrava registo de temer esse fim. Ficava-se pela repreensão da avó, nunca teria chegado ao longe de colocar a hipótese que lhe acabavam de comunicar. Contou ao pai, depois à velha... falaram... discutiram... bofetearam... concluíram: "aborta que agora já se pode fazer isso".
Foi uma correria ao hospital. Chegaram, sentaram, aguardaram, disseram ao que vinham e viram que não eram os únicos. Caras desesperadas, a ver hipotecado o futuro ainda incerto, a lamentar o devaneio do momento irreflectido. Uma ou outra menos preocupada, quem sabe sem querer saber, fumava um cigarro que alguém lhe dava... estava sozinha. Chamaram a Maria. Entrou num gabinete, novamente um médico: "vão passar as dez semanas de gravidez até chegar a sua vez". A margem de erro era de uma semana. "Já vai ter ai um ser humano", rematou.
Voltaram a casa. Caiu-lhes o mundo em cima na impossibilidade de manter o filho. Pensaram, e novamente concluíram: "pede dinheiro ao estado, eles disseram naquela coisa do referendo que agora se podia fazer, não temos culpa do hospital não ter vaga a tempo".

Passaram dois meses. Chegamos a casa, ligamos a televisão e esbarramos com José Sócrates: "O caso da Maria é exemplar! Com a indemnização que lhe demos vai poder criar o seu filho. Para aqueles que diziam que o sistema nacional de saúde não daria uma resposta eficaz, pois têm agora a nossa efectiva resposta. Resolvemos este caso como resolveremos todos os outros semelhantes. Aliás, quero aqui deixar bem claro que é esta uma medida de incentivo a que não se pratique o aborto após as dez semanas. É crime! E como a Maria, muitas outras mulheres serão ajudadas a não o cometer. Estamos no rumo certo! Viva Portugal."

Passaram mais dois anos. A televisão anuncia: "A Assembleia da República aprovou hoje a realização de um referendo ao aborto. A pergunta terá como objectivo questionar se os portugueses concordam com a despenalização total do aborto"...

também publicado aqui

Revista de imprensa

ABORTO

Desmontando clichés

Miguel
18 anos
Agnóstico
Não é oriundo de uma família numerosa
Diz NÃO ao aborto

As Imagens

Quando se fala em aborto, lá vêm à baila as imagens brutais de fetos abortados. E lá vêm as críticas à utilização dessas imagens. São imagens brutais e chocantes, é verdade. Mas são reais. Tão reais como as de prisioneiros de Auschwitz, de cativos em Abu-Grahib, de chacinados do Ruanda, de refugiados no Darfur. São imagens que demonstram o grau de crueldade a que um ser humano consegue chegar. Tal como no caso do aborto, não é por evitarmos vê-las que as imagens desaparecem ou se tornam menos reais.

Sentido Inverso

Repare-se como a preocupação em preservar vidas inocentes leva a inflexões de sentido contrário à que nos querem impor, na Nicarágua, no caso. Devo dizer que não exulto com dilemas destes, dado haver um conflito de vidas em risco. Nem se trata da questão presente no actual referendo, dado existir já no ordenamento português previsão deste e de outros casos-limite. O sentido útil deste pequeno post é apenas de chamar a atenção para o facto de a consciência do universo latino, em situações bem visíveis, andar longe da contramão que os entusiastas do sim nos querem impor.

Citações

"É importante acentuar a confusão semântica em que assenta grande parte do debate acerca do aborto. Vários conceitos são ou podem ser utilizados: os de moralidade / imoralidade, licitude / ilicitude, legitimidade / ilegitimidade, legalidade / ilegalidade, criminalização / discriminalização. Subjaz a todos os conceitos assinalados a dicotomia autorizado / proibido.
Os discursos políticos e jurídicos contemporâneos - por exemplo revelados no preâmbulo das leis - são caracterizados por uma linguagem depurada de adjectivos, escrita de modo igual, mecânico e indiferente, quer se trate de introduzir um novo Código Penal ou uma alteração a ele, quer se trate de uma medida de polícia ou de uma disposição económica. Tudo tem a mesma gravidade, ou, dito de outro modo, nada tem gravidade.
Esta linguagem depurada, pretensamente neutra do ponto de vista ético, exprime uma doença mortal das sociedades democráticas contemporâneas: a indiferença ética.
A indiferença não se confunde com tolerância: da ideia de tolerância perante os juízos morais individuais, o Estado orienta-se para uma política de indiferença ética: tudo é permitido."

António Pedro Barbas Homem, professor de Direito (que fez, ainda para mais, por ser mestre deste escriba), in "Vida e Direito - Reflexões sobre um Referendo", Junho de 1998, ed. Principia.

Agenda - Viseu

Dia 24 de Novembro de 2006, pelas 21h00, no Auditório do IPJ de Viseu (ao Fontelo), conferência do dr. António Maria Pinheiro Torres com o tema "Aborto: falar claro!".
Mais informações junto da Associação de Defesa e Apoio à Vida de Viseu.

quinta-feira, outubro 26, 2006

Votar "Não" é lutar em defesa da vida e não dos interesses políticos

Após ler o interessante e muito rico post do Vitório Rosário Cardoso, "Outra razão para dizer "Não" ao Aborto - Defender a Nação é defender o Sangue de Portugal!", percebi que nós os defensores da vida corremos um risco que convém, desde já, esclarecer.
Esta luta está muito longe de ser uma luta partidária. Se alguem o entende assim que fique bem ciente que só se engana a ele próprio. Esta luta é pelo triunfo da vida e dos valores humanos e da sociedade. Não a luta por um triunfo politico de uma qualquer facção ou partido. É normal que todos, sobretudo os mais ligados à politica, sigamos a tendência do partido que apoiamos. Mas convém que estejamos bem cientes de que cada um ao votar não está a promover o seu partido nem o seu líder, mas sim a promover algo que faz parte dos seus valores enquanto ser humano, algo que está intimanete ligado à sua maneira de ver o mundo e que não pode estar nunca ligado a uma cor de esquerda ou direita. Aqui sim podemos dizer que a nossa posição "não é de direita nem de esquerda", é pelo bem do país e dos seus valores.
Estão enganados aqueles que olham para os que votam não como "os nazis". Pessoalmente conheço pessoas de quase todas as "cores" politicas que apoiam o não e o mesmo acontece com os que votam sim. E isso não é ser incoerente na sua ideologia. Não deve ser visto assim! Não acredito que nenhum de nós concorde a 100% com todas as ideias e opiniões emitidas pelos lideres políticos dos seus partidos.

Por isso concluo sublinhando o título deste post: Votar "Não" é lutar em defesa da vida e não dos interesses políticos

A luta continua...

http://www.portugaldiario.iol.pt/noticia.php?id=736274&div_id=291

A luta para a implementaçao de medidas contra a vida continuam...

Sou a Favor da Vida

Priceless

Jérome Lejeune e a vida humana

É muito pouco conhecida entre nós a personalidade do Prof. Jérome Lejeune, em tempos celebrado como um extraordinário geneticista, e tornado famoso pela descoberta do Síndrome de Down. Jérome Lejeune foi também grande lutador em defesa da vida.
Aqui ficam algumas frases soltas do Prof. Lejeune, numa pequena colagem muito oportuna nesta hora.

"Se um óvulo fecundado não é por si só um ser humano, ele não poderia tornar-se um, pois nada é acrescentado a ele."
"Penso pessoalmente que diante de um feto que corre um risco, não há outra solução senão deixá-lo correr esse risco. Porque, se se mata, transforma-se o risco de 50% em 100% e não se poderá salvar em caso nenhum. Um feto é um paciente, e a medicina é feita para curar... Toda a discussão técnica, moral ou jurídica é supérflua: é preciso simplesmente escolher entre a medicina que cura e a medicina que mata".
"A sociedade não tem que lutar contra a doença, suprimindo o doente."
"Um único critério mede a qualidade de uma civilização: o respeito que ela prodiga aos mais fracos de seus membros. Uma sociedade que esquece isso está ameaçada de destruição. A civilização consiste, muito exactamente, em fornecer aos homens o que a natureza não lhes deu. Quando uma sociedade não admite os deserdados, ela vira as costas à civilização."
"Logo que os 23 cromossomas paternos trazidos pelos espermatozóide e os 23 cromossomas maternos trazidos pelo óvulo se unem, toda a informação necessária e suficiente para a constituição genética do novo ser humano se encontra reunida".
"O facto de que a criança se desenvolve em seguida durante 9 meses no seio de sua mãe, em nada modifica a sua condição humana."
"Assim que é concebido, um homem é um homem".
"Não quero repetir o óbvio, mas na verdade, a vida começa na fecundação. Quando os 23 cromossomas masculinos se encontram com os 23 cromossomas femininos, todos os dados genéticos que definem o novo ser humano já estão presentes. A fecundação é o marco da vida"
"...Se logo no início, justamente depois da concepção, dias antes da implantação, retirássemos uma só célula do pequeno ser individual, ainda com aspecto de amora, poderíamos cultivá-la e examinar os seus cromossomas. E se um estudante, olhando-a ao microscópio não pudesse reconhecer o número, a forma e o padrão das bandas desses cromossomas, e não pudesse dizer, sem vacilações, se procede de um chimpanzé ou de um ser humano, seria reprovado. Aceitar o facto de que, depois da fertilização, um novo ser humano começou a existir não é uma questão de gosto ou de opinião.
A natureza humana do ser humano, desde a sua concepção até à sua velhice não é uma disputa metafísica. É uma simples evidência experimental."
"No princípio do ser há uma mensagem, essa mensagem contém a vida e essa mensagem é uma vida humana".

A Tríade

Os adeptos da descriminalização do aborto vêm empreendendo uma ofensiva em três frentes, confessada, de resto, pelos seus mais mediatizados expoentes, com meses de antecedência. Assim, numa Quadratura do Círculo, Pacheco Pereira comentou o resultado do referendo anterior, dizendo que «a Igreja ganhou, quando falou em Vida». Desconte-se a redução do adversário ao Mundo Católico, tentativa subtil de fazer com que todos os que não concordam com a medida proposta se sintam desconfortáveis em Tal Companhia. O que sobra é a tentativa de armar como ficção a concessão do estatuto vital ao ser que repousa no ventre materno. Mas não respira? Mas não se alimenta? Mas não cresce? Mas investigações recentes não comprovam a acção de elementos exteriores, como a música, sobre o cérebro do ente em formação? Que mais é preciso para haver vida? Se esta se resume à consciência da exterioridade, acautelemo-nos, que quando estivéssemos a dormir seria perfeitamente defensável pelo raciocínio dessa gente o abreviar dos nossos dias.
Vem depois o Sr. Daniel Oliveira dizer que as imagens de fetos vítimas de abortos que os militantes do "não" publicaram na anterior campanha «são pornográficas». Porquê? A pornografia entristece pela redução de um ser humano, sem arte, à exibição dos genitais. Ou seja, por falsear a verdade, já que uma pessoa é sempre mais do que isso. Onde está a falsidade das imagens reveladas? Alguém as arguiu de falsas? Nem por sombras. Donde se conclui que para Daniel Oliveira a semelhança delas com a pornografia é serem incómodas onde esta é incomodativa. Mas ninguém é obrigado a mentir para agradar ao Sr. Daniel Oliveira.
Vem por fim o Sr. Francisco Louçã bater na tecla da hipocrisia e puxar ao choradinho a respeito das mulheres que são julgadas por abortos. Numa abordagem a anónimos cidadãos não-empenhados nesta luta chegou a roçar a intimidação, ao agressivamente perguntar a um Cavalheiro se queria ver mulheres presas por praticarem abortos. Ao que o Interpelado respondeu, com grande coragem e lógica, que achava que as pessoas que cometem um crime devem ser castigadas. Qual é a hipocrisia que há? Concordo que exista quando a um crime não corresponda a aplicação da pena prevista. Mas a situação resolve-se aplicando-a efectivamente, não legalizando a conduta. Como não é por haver muitos infanticídios ou assassínios de adultos que, por enquanto, se defende a descriminalização desses actos. E não se venha com a tese do drama da gravidez não desejada ou das difíceis condições. A responsabilidade começa no momento da concepção e muitos outros assassinos cometem as suas malfeitorias para melhorar a respectiva vida. Como dos três, porém, é o que tem mais jeito para falar às pessoas, consegue transferir a pena de muitos para quem decide retalhar um inocente que não teve hipótese de escolha, em vez de a concentrarem nesse desgraçado que tem prometida a fossa. E como o sentimento se espalha, leaders políticos há que tentam não perder uns votitos, defendendo um outro aborto, sem drama mas com ridículo - o de um crime sem pena.
Três tentativas para jogar com a verdade, substituindo-a pela falácia conveniente. Em nenhum caso os factos que enunciei se estribaram em argumentos religiosos, mas na mais elementar esfera da decência. Porque se percebo que o estado laico que temos se esteja nas tintas para o que eu creio ser a Verdade, não lhe admito que abdique de se submeter à verdade, como querem estes repugnantes e programáticos falseadores dela.